15 de julho de 2026
Ligia Cruz

The Nobel goes to Maria Corina Machado

Há protestos por parte de uma ala da direita brasileira pelo fato de Donald Trump não ter levado o laureado prêmio Nobel da Paz.

Os motivos são os de que a venezuelana Maria Corina Machado, a vencedora, não é necessariamente uma conservadora raiz e outro que o combate contra o Hamas e o Hezbollah é muito mais significativo do que lutar contra Nicolás Maduro.

O fato é que a guerra no Oriente Médio contra o terrorismo patrocinado pelo Irã conta com vários agentes internacionais, capitaneados por Israel e Estados Unidos, com apoio da França e Reino Unido –, o que não desmerece o empenho bélico e diplomático preciso do presidente americano.

Mas Maria Corina tem lutado incansavelmente e praticamente sozinha na linha de frente, por anos contra o regime chavista, que tem ceifado a vida de milhares de venezuelanos. Um exemplo de coragem de fato, pela resistência frente a um sanguinário narcotraficante que está aliando a Venezuela ao mesmo Irã, que ataca o povo judeu.

A ganhadora do Nobel foi eleita deputada em 2010, mas foi cassada pelo homem forte do regime de Maduro, Diosdado Cabello, por fazer denúncias de crimes de direitos humanos em seu país em fóruns internacionais. Muito antes disso, ela apoiou o golpe de 2002, que retirou do poder Hugo Chávez,       por 48 horas. Mesmo o ato não ter sido consumado devido a reação chavista, ela não desistiu da luta pela democracia.

Fora do parlamento, perseguida e ameaçada, ela se lançou como candidata à presidência em 2023, venceu as primárias da oposição, mas foi acusada de “inabilitação administrativa” por Maduro. Foi proibida de ocupar cargos públicos pela Controladoria-geral do país por 15 anos. O mesmo que já havia acontecido com o candidato da oposição, Henrique Capriles, em 2017. Enterrando a possibilidade de uma candidatura próxima.

Mas ela não se deu por vencida, mesmo escondida em local incerto no próprio país, indicou para substituí-la Edmundo González Urrutia, que seguiu no pleito e, segundo consta, venceu as eleições de 2024.

Durante um comício, em janeiro deste ano, Maria Corina sofreu um atentado seguido de tentativa de prisão da própria polícia que atirou contra o veículo em que estava, causando pânico na oposição. Refugiou-se novamente, onde permanece escondida até hoje.

Maduro foi pressionado pelas democracias mundiais a mostrar os livros de registro da eleições, cujos dados foram falsificados, segundo denúncias da própria Maria Corina. Mas o ditador nunca o fez. Até mesmo o muy amigo Lula duvidou do resultado das eleições.

Os número do regime de Maduro são nefastos. Segundo a Anistia Internacional, entre 2015 e 2017 foram praticadas mais de 8.200 sentenças extrajudiciais de morte contra opositores do regime.

E não adianta a esquerda brasileira esbravejar e criticar a indicação de Maria, como fez o próprio Lula que a mandou “parar de chorar”. Ela tem todo direito de chorar, desta vez de felicidade por ter levado o prêmio que ele queria, sem nunca ter feito nada.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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