Como prometido no meu post anterior, hoje vou falar sobre Torres del Paine, na Patagônia chilena. Quando o assunto foi Calafate, na Argentina, sugeri um passeio bate e volta ao Parque Nacional de Torres del Paine. Vamos a ele.
Esta foi nossa primeira visão do Parque Nacional Torres del Paine, antes mesmo da entrada do parque, que, por sinal, chama-se Guardería Laguna Amarga. Reparem que a cor da vegetação e das montanhas está normal, mas a cor do lago parece fake. Inacreditável!
(Fonte: Mônica Sayão)
1- Estratégia de visitação:
Aqui é necessária uma explicação: há duas maneiras de se chegar a Torres del Paine, uma pelo Chile e outra pela Argentina. Vale ir pelo Chile, na minha opinião, se a pessoa quiser visitar outros lugares naquele país. A opção pela Argentina é bem mais interessante em termos logísticos porque dá para fazer um roteiro que inclua Calafate e Torres del Paine, porque são próximas. É a oportunidade de conhecer, numa mesma viagem, o que há de mais espetacular na Patagônia.
O ideal é pernoitar pelo menos duas noites em Torres del Paine. A viagem é longa, principalmente por causa da parada na fronteira. No meu caso, o bate e volta a partir de Calafate foi a única chance que meu grupo de turismo tinha para conhecer o parque na época. Acho que para esse tipo de passeio é indispensável contratar transporte com guia em Calafate. Um guia otimiza o tempo disponível no parque e mostra os principais atrativos.
O que tenho a afirmar é que vale sim fazer o passeio de um dia, se não houver opção de pernoite. É cansativo, mas inesquecivelmente lindo!
Não vale qualquer esforço? (Fonte: Mônica Sayão)
2- O que é o Parque Nacional de Torres del Paine:
É um parque no sul do Chile, de aproximadamente 1.800km², onde estão as famosas Torres del Paine, três torres de granito de impressionante beleza, assim como Los Cuernos (os Chifres), logo ao lado e tão lindo quanto.
Mas não é só isso: há montanhas, glaciares, vários lagos e rios. E vida animal, com destaque para os guanacos, que não se importam com a presença humana. E é claro, várias e distintas trilhas para trekking a fim de se apreciar tanta beleza.
Nessa imagem vê-se com clareza Las Torres del Paine. (Fonte: Mônica Sayão)
Grupo de guanacos. (Fonte: Mônica Sayão)
Um guanaco em detalhe. Geralmente andam em pequenos bandos.
(Fonte: Mônica Sayão)
As trilhas mais famosas são conhecidas como o circuito W, o P e o O. Basta saber por enquanto que eles têm de 70 a 115km de extensão e, acredite, há bastante gente que os percorrem. Há acampamentos no parque (só é permitido acampar neles) e é necessário fazer reserva com antecedência.
Preciso dizer que pode fazer frio mesmo no verão. E pode ventar muito. Nós mesmos pegamos vento forte em certas partes menos protegidas, e foi difícil nos equilibrarmos e, principalmente, tirar fotos!
De qualquer maneira demos muita sorte com o tempo porque estava um dia lindo de sol.
3- Um mapa sempre é bom:
Achei esse mapa na internet só para dar uma ideia ao leitor do parque, com suas geleiras, lagos etc. O “Maciço Paine” na parte superior do mapa (cor cinza escura) é onde estão Las Torres del Paine e Los Cuernos. Podem ser vistos de quase todos os lugares do parque.
Mapa do Parque Nacional Torres del Paine. (Fonte: bagualesgroup.com)
4- Onde se hospedar:
O mapa acima mostra hospedagem de vários tipos, das mais simples às mais sofisticadas. Hospedar-se dentro do Parque é caro, principalmente se for num hotel sofisticado. Mas, sabe de uma coisa? Sugiro fortemente um hotel bacana, como o Hotel Explora Patagonia, que é um “all inclusive” sensacional. Não é para todos os bolsos, mas para quem pode vale demais se hospedar lá. No mesmo nível está o Tierra Patagonia, menos central que o Explora, mas com acomodação e serviços impecáveis.
Com diárias mais enxutas, há o Rio Serrano Hotel e o Hotel Lago Grey. E com uma localização privilegiada, a Hospedaria Pehoé, no lago de mesmo nome.
Chegando ao lago Pehoé. Los Cuornos ficam bem visíveis. (Fonte: Mônica Sayão)
Almoçamos no restaurante da Hospedaria Pehoé. Para chegar ao hotel é necessário atravessar uma pontezinha de pedestres. Foi de onde tirei essa foto. (Fonte: Mônica Sayão)
5- O trajeto entre Calafate e Torres del Paine:
A distância entre os dois lugares é de, aproximadamente, 250 km, que geralmente são feitos em quatro horas. O trajeto é seguir de Calafate até Esperanza pela Ruta 40, que é asfaltada e está em bom estado de conservação. Há placas que indicam um atalho que não passa por Esperanza. Mas não é boa opção porque esse atalho é de rípio, que é cascalho e/ou seixo rolado misturado com terra. Isso significa que em quilometragem valeria a pena, mas acaba levando mais tempo por não ser asfalto.
Parada estratégica em Esperanza para esticar as pernas e tomar um café, já que não há outras opções pelo caminho. (Fonte: Mônica Sayão)
Após Esperanza, a outra parada é na fronteira. Sempre há fila, mas não demorou tanto quanto temíamos. Aliás, se a opção for alugar um carro, é necessário sempre avisar à locadora que lhe dará um documento a ser apresentado na fronteira e que não pode ser perdido (para ser mostrado no retorno), sob pena de se pagar uma multa salgada.
A parada na fronteira pode ser longa. (Fonte: Mônica Sayão)
Para finalizar, entre Esperanza e Torres del Paine há outro atalho, que corta caminho. Também é de rípio, mas é um atalho curto e assim se ganha tempo de viagem. Última dica: não é necessário ir até Puerto Natales. Esse era um trajeto antigo, muito mais longo que o atual.
Nosso passeio de um dia durou cerca de treze horas. Estávamos cansadas mas muito felizes!
Uma última imagem só para reforçar a beleza dessa região.
(Fonte: Mônica Sayão)
Torres del Paine é um desses lugares que a gente tem que visitar uma vez na vida. Como disse antes, vale qualquer esforço.


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