13 de junho de 2024
Colunistas Sylvia Belinky

Grupos e Influencers

Faço parte de muitos grupos, alguns por livre escolha, outros porque lá fui colocada e, onde não me incomoda, deixo quieto.
Com essa (relativamente) nova moda do Facebook de apresentar um “trailer” (como se dizia antigamente, ou uma pré-estreia) do que aquelas pessoas, que o algoritmo chegou à conclusão que interessam a você, estão fazendo da vida naquele momento (além de serem e estarem imensamente felizes), sou colocada em contato com todos os amigos e os desconhecidos dos grupos dos quais faço parte.

Então, às vezes, perco algum tempo vendo o que o algoritmo acha que me interessa. E tomo cada susto com a quantidade de gente sem noção que pulula neles todos… e também me divirto bastante – aquela velha história, rir para não chorar – com coisas que parecem invenção, mas que, infelizmente, não são…

Entrei num grupo da Netflix – por sugestão do algoritmo… porque imaginei que talvez ali tivesse sugestões de quais séries ver, do porquê seriam interessantes e, principalmente, para ver se me apaixono por uma que seja beeeeeeem curta… e deixe saudades!

Ali descobri que as criaturas que são consideradas colaboradoras excepcionais, de repente dão como péssimo um filme que eu vi e achei ótimo – imediatamente me dei conta que esse não seria o grupo certo para mim!

Infelizmente essa situação de pessoas totalmente sem noção “se achando” é um retrato fidelíssimo de nossa sociedade atual: gente sem desconfiômetro (objeto antiquíssimo, hoje em desuso que evitava que a toda hora tivéssemos VA). Para os não iniciados, VA é Vergonha Alheia que, como se pode imaginar, é a ausência total de um mínimo de polimento social.

O mundo hoje está povoado de pessoas que são consideradas “influencers”, que têm um número imenso de “seguidores”, que se se jogarem num poço lotado de piranhas, irão junto com elas _ tudo bem, mas… include me out!! Saí do grupo pouco depois de ter entrado!

E há, inclusive, os bem intencionados, que deixam à vista para quem tiver com os olhos abertos, claro! Um exemplo disso foi esse, num outro grupo: uma pessoa colocou que, morando perto de uma área verde, surgiu no jardim da casa dela um bichinho que, tirada uma foto, foi identificado como um saruê (para quem nunca ouviu falar, uma espécie de gambá silvestre, do tamanho aproximado de um gato, que é protegido por lei e que, uma vez tendo sido avistado, deve-se chamar os bombeiros para um resgate).

Como eu também vivo perto de uma área verde e já estive nas mesmas circunstâncias, forneci essas informações, assim como outras pessoas; como a que estava com o saruê no jardim tivesse informado que deu frutas e leite para o animal, uma outra apressou-se em esclarecer:

  • Mas leite SEM LACTOSE!…

…Desculpe, mas como é que é mesmo?!

Como a Meta também nos permite tentar localizar pessoas de quem não temos notícias há tempos, eu resolvi saber de uma ex-prima por afinidade, uma socialite admiradíssima; descubro que ela estava comemorando o centenário do pai que, no Facebook, era um sujeito fantástico, de reputação ilibada, que teria inclusive recebido uma menção por atos heroicos, durante a Segunda Guerra.

Ocorre que esse sujeito abandonou a mãe dessa socialite para ir viver no exterior com a secretária, lesou um sem-número de sócios e de compradores de imóveis de sua construtora porque, à secretária interessava algo mais, digamos, “sólido” do que apenas a menção de atos heroicos…

Ó, a realidade: a minha, a sua, a dos outros…

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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