23 de julho de 2026
Ligia Cruz

O recall do ladrão

Todo mundo colado nas notícias para ver quem vai levar o governo peruano: a direita ou a esquerda.

Conforme a apuração do momento, Keiko Fujimori pode levar, numa diferença bem estreita. Se isso ocorrer, o Brasil será o único país de extrema-esquerda de fato no continente, pois o Uruguai é mais um tipo tucano, de centro, e não por muito tempo.

Mas, por aqui a coisa vai de mal a pior. O fracasso desta gestão é tão brutal que agora Lula perdeu completamente o que tinha de vergonha e se presta a fazer comédia sem graça para os bobos da corte que o cercam.

A última da vez é o programa “Celular seguro”, lançado certamente com o brilhantismo oportunista do marqueteiro Sidônio Palmeira, que faz um chamamento ao ladrão de celular, para que entregue o produto roubado nas agências de correios, sem ser identificado.

Isso mesmo. Segundo ele, há um cadastro de pelo menos 2,5 milhões de celulares roubados, com o número do “chassi” reconhecido no Brasil. O ladrão vai receber uma mensagem para devolvê-lo (como se fosse só um), senão “haverá consequências”. Uma ameaça para levar a sério, antes que ele descubra que celular não é carro e que esse tipo de recall não funciona com a bandidagem. Ou até mesmo tenha a brilhante ideia de cobrar IPVA dos verdadeiros proprietários.

Como ele não anda nas ruas, ignora que boa parte desses furtos não é feito por ladrãozinho mequetrefe, mas com extrema violência. Sem dó nem piedade, esses bandidos quebram o vidro dos automóveis em pleno trânsito, a luz do dia, enfiam uma arma na cabeça do condutor levam o celular e o que houver de valor. Não é uma brincadeirinha para a trupe rir de sua graça sem graça.

A agência do correio não é o local adequado para a devolução de objeto de contravenção, até porque não haverá nenhuma sanção para o ladrão, cuja identidade permanecerá sob sigilo. Mas vem a calhar porque assim o bandido ou receptador fica protegido, pois “não se sabe que tipo de gente vai encontrar na delegacia”.

Parece hilário, mas não é – ele disse isso com todas as letras, sem enrubescer, como se fosse o benfeitor da bandidagem. Seria a polícia, ciosa de seu dever prender meliantes confessos, “perigosa” para com os protegidos do presidente ou estão lá para cumprir a lei?

Para Lula, a polícia é e sempre arbitrária, aquela que interroga dá uns tabefes e prende. Bem diferente do chefão da PF, o Andrei Rodrigues que está no posto para defender contraventores de estirpe. É muita imbecilidade.

O escracho é tão grande que Lula cita o números dos roubos sem enrubescer, como se fosse uma operação logística normal. E se esquece do que disse no passado, sobre o fato de os ladrões que roubam os celulares terem o direito de comprar “uma cervejinha”. Os mesmos marginais coitadinhos agora chamados para o recall, mas que podem votar nele.

Para Lula, deve ser fácil se misturar com essa gente e adquirir celulares com a pesada carga de impostos, que seu próprio governo impõe. Uma punição ao sujeito que anda na linha e honra seus compromissos com trabalho sério e está completamente desprotegido pelas instituições.

Essa tal operação está mais para uma conversa de maluco, sem eira, nem beira. E dá-lhe “pirula” para entender a lógica desse mariola imprestável. Ainda bem que a filósofa da vez é mulher dele, que pode prescrever em doses idiopáticas. Só rindo.

Há cerca de quatro meses das eleições um fato como esse preocupa, pelo simples fato de que o candidato do governo estará a menos de um mês de completar 80 anos, não tem sequer uma única pauta relevante – como não teve durante todo esse governo – e segue confiante de que “o sistema” vai lhe garantir o “tetra”.

Agora ele só vive para recordes e troféus, um fracasso moral que envergonha o país.

Mas podemos lembrá-lo de todos os recordes sob seu nome entre os quais o Mensalão, o Petrolão, o roubo do INSS, o escândalo do Banco Master, os mais de R$ 54 bilhões emprestados a outros países sem retorno, o montante de R$1 bilhão, liberado para a Lei Rouanet dos amiguinhos, nos primeiros 24 dias deste governo, os milhões gastos em cartão corporativo com as farras em viagens e mimos para a consorte com sigilo de 100 anos e por aí vai.

Esse é o retrato de um perdulário senil que quer continuar na presidência do país, para entregá-lo para estrangeiros como vem fazendo, sem nenhum planejamento ou critério. O seu recall para ladrões é mais um episódio vergonhoso de um governo que precisa acabar.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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