Falta de respeito é pouco

Criador e criatura estão muito “assanhados” aqui em São Paulo. João Dória e Bruno Covas estão metendo os pés e as mãos no tacho das maldades. Tão logo raiou o ano, os sexagenários da cidade foram punidos com a revogação do direito à gratuidade no transporte público. A economia era importante para a renda das famílias, já bem abatidas pela pandemia e o desemprego.

O trato já estava feito com as empresas de ônibus desde as últimas eleições. São os mamadores eternos do dinheiro público. Entra e sai governo, eles estão lá usufruindo de suas concessões e receitas bilionárias. O sistema de transporte público paulistano está longe de ser uma pérola de excelência. Paga-se caro para enfrentar superlotação e descaso.
Agora, o performático gênio do mal inventou um “lockdown” para lá de jocoso. Ele não tem a menor vergonha de bancar o ridículo. Afinal, já foi gari, fiscal de escola entre outros personagens mais, logo que se elegeu prefeito. Das 23 horas às 5 h da manhã ninguém sai de casa. Ordem expressa do mandatário, que está pouco se lixando para o cidadão. Na hora de dormir todo mundo fica em casa! Bem isso!
Oras, brasileiro que trabalha duro e tem família não fica madrugada adentro na gandaia. Isso é coisa de um bando de irresponsáveis que se agrupa para servir aos propósitos dos narcotraficantes e para disseminar o vírus. Essas baladas e “raves” são promovidas só para desovar drogas. E a polícia do estado não dá conta de combater o crime organizado sem a ajuda da população, acuada pela pandemia e a bandidagem. A situação está cada vez pior. Todos os que estão na linha de frente estão correndo sérios riscos e infectando seus familiares.
E o jovem alcaide não desceu de sua nave ainda. Em “Shangrilá” tem Carnaval sem festa. Ele está preocupado em pagar as escolas de samba e um único grupo de afoxé por um Carnaval que não existiu. Um montante de um pouco mais de R$ 33 milhões foi destinado para o espetáculo deste ano acontecer. Só que foi cancelado. Isso deveria ter sido feito também no ano passado porque o coronavírus já estava circulando pela cidade. O governador se fez de besta. E, agora, a decisão de Covas é tão descabida que já chamou a atenção do Ministério Público.
O prefeito e seu mentor do mal não têm o menor respeito pelo paulistano. No planeta em que vivem não existe racionalidade e coerência. Tiram dos idosos e dão para os sambistas milionários. Tudo bem que a UESP (União da Escolas de Samba de São Paulo, na pessoa de se presidente, Alexandre Magno, tente defender seu quinhão, mas quem ganha cachê sem fazer o espetáculo? Só no Brasil. Só na cabeça de gestores sem noção e decência.
São recursos públicos necessários neste momento de crise na saúde pública. Todo mundo está desempregado, então as escolas de samba que busquem alternativas para o seus custeios, como qualquer empresa. Que se reinventem. Na guerra é assim que funciona.
Para se ter uma ideia da falácia, são 33 escolas de samba e um único grupo de afoxé, mamando nas nossas tetas. As 14 do grupo especial levam cada uma R$ 1,3 milhão; as 8 do grupo de acesso I, R$ 847,5 mil cada; as 12 do grupo especial II, R$ 186,9 mil, cada; e o grupo “Filhos da Coroa de Dadá”, R$ 65,1 mil.
O argumento da SPturis, que administra a verba de R$ 33 milhões (valor de 2020), é o de que o Carnaval gera uma receita grandiosa para a cidade – R$ 3 bilhões, valor do ano passado, dos quais, R$ 227 milhões, oriundos só do Sambódromo. Eles que dizem. Ainda há os blocos que são pagos com dinheiro público também. Se isso não for um escândalo, não se sabe o que é.
Muitos segmentos da economia sangraram no último ano, muitas empresas quebraram por permanecerem de portas fechadas, de forma atabalhoada, durante a pandemia, como ocorreu na capital paulista. O desemprego atinge níveis inimagináveis em todo país. E em São Paulo os números são de chorar. Mas, as escolas de samba têm que ser bancadas por nós, a preço de ouro.
A cadeia produtiva do Carnaval é importante para o negócio das escolas, mas e as lojas que vendem artigos de festas não? Na rua 25 de Março, na capital paulista, especializada em produtos para esse mercado, a quebradeira foi geral, muitas lojas fecharam. Mas o cidadão não tem que pagar essa conta, apesar do triste quadro.
Diante desses fatos, espera-se, no mínimo, coerência por parte do Ministério Público, que recebeu a denúncia. Os valores já pagos devem ser ressarcidos aos cofres públicos, para custear melhorias e força de trabalho nessa pandemia. É o que se espera. Ninguém está no clima de festa neste país, todo investimento deve ser feito para debelar a crise na saúde, sem o qual levaremos mais tempo para sair do caos. Que o governador e o prefeito respondam por esse desrespeito ao cidadão paulistano. É o que se espera.

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