
Uma hora ou outra o caldo do STF iria entornar. A correlação de forças acirrou embates entre as reservas morais da república, que acabaram se estapeando em público.
De um lado André Mendonça tentando seguir em frente com as relatorias dos casos Master e INSS, com ações técnicas e compartilhadas, com a presidência da casa e o público em geral. Em razão disso, as operações da Polícia Federal do sistema foram descortinadas.
Do outro, a claque palaciana com os estafetas aparelhados pelo sistema para defender o indefensável, entre os quais Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Carmem Lúcia e Edson Fachin. Luiz Fux e Nunes Marques não são integrantes da linha dura pró-governo Lula.
O caso ganhou proporção incendiária quando o ministro Mendonça decidiu afastar o comandante da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e Leandro Almada, diretor da inteligência da PF por suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro e pelo vazamentos de informações das investigações para os alvos das investigações, inclusive para Lula.
O fato provocou reações na banda podre do STF, envolvida com o esquema fraudulento de Vorcaro e a serviço do PT. E o que está em risco é o futuro das próximas eleições porque Lula está cada vez mais em baixa e preocupado com a debandada de apoiadores clássicos em todas as esferas sociais, em especial de artistas e empresários, que no passado declaravam apoio abertamente. Ele está vendo sua campanha naufragar, com os índices das pesquisas despencando.
O que se viu foram as cenas mais patéticas, com o estafeta mais fervoroso de Lula no STF, Flávio Dino, atropelando o juiz da causa e suspendendo o afastamento de Andrei e Almada. Nunca houve nada parecido na história da suprema corte, em que um juiz invade a prerrogativa do outro para fazer palanque eleitoral pró-Lula.
No meio do incêndio, Alexandre de Moraes, cada vez mais em baixa em todas as frentes — inclusive na imprensa que até bem pouco tempo o aplaudia –, mesmo açoitado em todos os flancos, colocou o nome de André Mendonça no inquérito das “Fake News”, a arma judicial que vem usando para incriminar opositores do sistema a serviço da esquerda e do PT. Ato vetado por Edson Fachin.
E por falar no atual presidente da corte, Fachin, conhecido por sua dedicada militância na esquerda e lentidão na tomada de decisões, ficou com a bomba na mão, para colocar ordem na casa.
Demorou quase dois dias e na sequência retornou aos cargos Andrei e Almada, porque Flávio Dino disse que ambos são necessários na investigação de possível fraude, envolvendo as emendas parlamentares e o suposto investimento de dinheiro público no filme Dark Horse. De quebra ele retirou de Moraes o famigerado inquérito do “fim do mundo” ou das “fake news” e o tomou para si.
O que está havendo agora é um exercício de falsa equivalência, com o intuito de criminalizar a campanha de Flávio Bolsonaro, com um álibi surpresa, colocando a produtora do filme Dark Horse nas investigações, com o intuito de impugnar sua candidatura. Só que a estratégia não prosperou e o que se encontrou foi bem diferente do esperado. E não se trata de defender a candidatura de A ou B, mas de estabelecer a verdade.
Além do objetivo de colocar as ações do ministro Mendonça como meramente eleitoreiras, em prol do candidato do PL, e com isso manchar sua reputação, tentaram também retirar dele as relatorias dos casos Master e INSS.
Só que não colou. Fachin não permitiu, porém devolveu Rodrigues e Almada aos cargos provisoriamente, com a condição de que possam dar explicações num prazo de 48 horas. Até o momento não há notícias de que tenham feito isso, pelo menos de forma pública.
No curso das investigações surgiu a cereja do bolo. Um documento com o relato de ameaças sofridas pela empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme Dark Horse.
Consta que ela teria sofrido coação para fazer delação premiada, para comprometer Flávio Bolsonaro.
Apavorada com as ameaças, a produtora registrou o fato em cartório, com o detalhamento dos contatos havidos, por Fernando Sarney – pessoa ligada a Flávio Dino – e Breno Pires, jornalista da revista Piauí.
Esse documento só apareceu no meio da trama por conta de uma operação de busca e apreensão na casa da empresária. O documento estava em meio aos papéis coletados, expondo as táticas usadas pela PF de Lula.
Esse ato criminoso por si só revela a instrumentalização do STF por parte da presidência da República, para fins eleitoreiros. E Dino está no comando do esquema, realizando “serviços” escusos, na função de militância política.
O fato é que está tudo errado desde que Alexandre de Moraes assumiu um governo judicial paralelo e ninguém fez nada para impedi-lo. Ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, interferiu em decisões que cabiam exclusivamente ao presidente. Porém ele não reagiu, recuou, e esse foi seu erro.
A partir daí a corte saiu do eixo e começou a fazer política, ameaçando os presidentes da Câmara e do Senado, usando como armas as “capivaras” nos seus estados de origem. E teve êxito com suas chantagens porque esses líderes eleitos foram manietados e forçados a vetar demandas públicas.
Agora Fachin tem a incumbência de colocar os pingos nos “is” e fazer o que vem anunciando: estabelecer um código de conduta para os ministros da suprema corte.
No próximo dia 15 haverá sessão aberta ao público no STF, onde todos os malfeitos serão colocados na mesa. Resta saber se a sessão será mesmo transmitida na íntegra com todos os fatos colocados na mesa e com as carapuças expostas.
Mas, conhecendo os personagens, não será surpresa se os ministros aparelhados não começarem a protelar para além das eleições, com a tentativa de blindar Moraes e Toffoli, os mais implicados no caso Master. O que se espera é que ambos sejam afastados e não possam votar, conforme os ritos processuais.
A dúvida é sobre qual será a posição de Edson Fachin, se vai restabelecer a ordem, com sanções a quem feriu o decoro e insultou a Constituição e a população brasileira. Além de garantir a segurança de André Mendonça, permitindo que tenha condições de continuar a frente dos casos Master e do INSS (onde constam os nomes do filho e irmão de Lula). Tudo isso a vinte dias das eleições.
A casa está desabando com todos dentro e o resultado é imprevisível. Fachin será o principal agente do evento. A expectativa é saber se ele vai atuar com isenção como o caso exige ou se vai se render à militância.

