7 de agosto de 2026
Sylvia Belinky

De seguir pessoas I

Em minha crônica anterior eu confessei que sigo Leandro Karnal e ousei não explicar o porquê: é que, na verdade, acho que ele é erudito e inteligente – foi criado na religião e resolveu deixá-la, o que, a meu ver, diz muito a respeito dele, que dispensa histórias da Carochinha e Contos de Fadas – as coisas são como são e se não gostarmos, nem por isso!

Há cerca de duas semanas, ele lembrou que, há quarenta e cinco anos, casavam-se Charles e Diana. Entre os muitos comentários, li um em que Charles teria se transformado em um sapo e Diana na mais infeliz das criaturas… Aliás, na maioria das vezes os comentários são a melhor parte da notícia – ou pior, como preferirmos!

De resto, antigamente se contavam histórias que sempre terminavam em: “casaram-se e foram felizes para sempre” e as pessoas jamais perguntavam o porquê de nenhuma dessas histórias contar o que acontecia depois. Essas histórias eram chamadas de “contos de fada” exatamente por isso!

Seja como for, achei interessante pois me lembrou meu primeiro casamento, em que eu estava absolutamente apaixonada e eu, “um modelo de perfeição” jamais precisaria mudar coisa alguma – essa minha assertiva lhe pareceu familiar?

Essa última parte foi a que jamais mudou desde que o mundo é mundo, desde muito antes dos contos de fada terem sido escritos… O ser humano jamais vai se olhar como tendo defeitos que precisem ser mudados! Temos a certeza de que, se formos amados de fato, como merecemos, não iremos precisar de…”reforma”!

Fato é que também meu casamento não foi um sucesso e, como conheci esse marido numa paquera, não tenho com quem dividir a responsabilidade da escolha… De resto, não deixa de ser intrigante que estejamos sempre convictos de que saberemos com agir, diferentemente de todos antes de nós que, *néscios – tá, vou esperar você ir ao dicionário que esta palavrinha é um bocado antiga – não tinham essa assertividade…

É do ser humano achar que tudo aquilo que ele não tentou é o que daria certo e JAMAIS admitir que a FRUSTRAÇÃO é parte da bagagem; sofrer por termos tido que escolher e não tem a menor dúvida de que estávamos fadados ao sucesso caso a escolha tivesse sido outra!

Tenho uma amiga muito querida, excelente pessoa que sempre cuidou de sua mãe doente. Quando esta morreu, ela resolveu seguir seu sonho dourado, casar e ir morar nos Estados Unidos; fez tudo isso e daqui há dois meses, depois de ficar por lá 10 anos, estará de volta…

Não faz parte da minha forma de ser, “seguir pessoas”, assim como não faço questão de ser seguida –tenho a impressão de que meus seguidores só estão esperando que eu dê um passo em falso…

Assim como tenho a convicção de que só agimos de “acordo com regras pré-estabelecidas” porque, via de regra tem sempre alguém olhando…

Já disse um sábio que “ética é aquilo que fazemos quano NINGUÉM ESTÁ OLHANDO” – mais passa o tempo e mais eu me convenço de que é isso aí mesmo…

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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