
A Globo passou a semana entrevistando os candidatos à Presidência da República, aqueles da série A que estão que estão pleiteando o primeiro lugar junto com os cavalinhos do Fantástico, pondo em xeque suas declarações e suas intenções.
Um intento malsucedido, porém. O que se viu foi um desfile de autopromoção e as mesmas balelas repetidas por todos sobre Saúde, Educação e Segurança.
O primeiro entrevistado foi o Coisin Pão de Queijo. Vangloriou-se de ser o único candidato a ir a El Salvador ver de perto os desmandos que Bukele tem feito em seu país. Perguntado se ele concordava com seus métodos, Romeu Zema se enrolou, tentou disfarçar mas admitiu que ele tem sido eficaz no combate à bandidagem. Assim como admitiu que não houve (ele teria escrito ouve) tentativa de golpe praticado por seu ídolo, já que não “teve nenhum tiro”. Viralizou nas redes sociais quando disse que tinha “vários programas contra a mulher”. Alguns chamaram isso de ato falho porque já teria deixado transparecer, em outras ocasiões, que mulher é um ser inferior. Não acredito que seja por aí. Tá mais mesmo para sua paspalhice habitual, repleta de gafes. (Desta vez, pelo menos, não perguntou se a poetisa Adélia Prado trabalhava lá!)
Na terça-feira foi a vez do Coiso Rei do Gado. Com aquele sorriso botulínico permanente, Ronaldo Caiado se limitou a descer o cacete no Lula e a se autoelogiar por todos os grandes feitos em suas carreiras de médico e de político.
Declarou-se um democrata, mas sua opinião sobre os atos do 8 de janeiro contradiz essa afirmação. Insiste em anistiar todos os presos (desta vez concordou em mandar a proposta para apreciação do Congresso), comparando a medida à “anistia” que o Supremo deu ao Lula, o que não é verdade. Luiz Inácio não foi anistiado. Foi beneficiado por erro judicial cometido em sua condenação. Só que isso não significa que seus crimes contra o erário público foram perdoados. Já Bolsonaro está preso por ter cometido um ato inconstitucional. E se alguém acha que querer passar com trator sobre a Constituição não é passível de punição severa, não me parece ser essa pessoa exatamente um democrata.
No dia seguinte foi a vez do Coiso Pitbull. Renan Santos chegou cuspindo fogo pra tudo quanto é lado, querendo fazer parecer que essa é a sua missão aqui na Terra.
Mas como ele é um dos últimos cavalinhos da corrida, nem vale a pena comentar.
Na quinta-feira o entrevistado foi o Coiso, pai do Coisinho que está sendo investigado por suposto tráfico de influência que teria beneficiado empresas envolvidas em fraudes do INSS. Lula diz que se ele for culpado vai ter de pagar pelos seus atos, ao mesmo tempo em que afirma que tudo isso não passa de ilações. Declarou também não conhecer a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso, contrariando as fotos em que aparece ao lado dela.
Como essa edição fecha na sexta-feira à tarde, não vai ter comentário sobre o Coisinho, “irmão do Coiso Master” e filho do Coisão preso, já que a entrevista com Flávio Bolsonaro está programada para sexta à noite.
Mas já dá pra imaginar o que vem por aí. Talvez pergunte ao Tralli e à Renata se eles “pararam no tempo” quando tocarem no assunto Master/Dark Horse, como tem feito com jornalistas que querem saber se ele já apresentou as notas fiscais que justificariam os gastos com o filme.
Aproveito pra deixar aqui uma sugestão para a Globo: fazer entrevistas com os times da série C. Pelo menos elas devem ser mais divertidas. O candidato psiquiatra Augusto Cury já tem até um jargão rolando na internet. “Nem picanha, nem fuzil. Eu quero é Rivotril”.

