3 de setembro de 2026
Professor Taciano

STF: descontração ou desdém diante da grave crise que atinge a mais alta corte de justiça do país

Enquanto o Brasil cobra respostas, ministros aparecem às gargalhadas. A fotografia pode ser apenas um momento de descontração — mas, politicamente, a imagem diz muito mais do que talvez seus protagonistas imaginassem.

Caríssimos leitores,

Há momentos em que uma fotografia deixa de ser apenas uma fotografia. A imagem registrada pelo fotógrafo Brenno Carvalho, de O Globo, mostrando
Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin em um momento de descontração, com sorrisos e gargalhadas, ganhou enorme
repercussão justamente porque surgiu no pior momento possível para a imagem pública do Supremo Tribunal Federal.

Não se trata de defender que ministros do STF sejam proibidos de sorrir. Evidentemente, não são robôs. Também não é razoável concluir, apenas pela
fotografia, que os ministros estivessem rindo da crise ou de qualquer denúncia.

Mas política e instituições também são feitas de símbolos. E a fotografia tornou-se um símbolo.

Ela apareceu justamente depois da divulgação de informações constantes de relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Master e às mensagens
envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio provocou questionamentos e aprofundou uma crise institucional que já
vinha desgastando a imagem do Supremo.

Na primeira sessão após a divulgação do relatório, o assunto não foi tratado publicamente no plenário. Os ministros seguiram a pauta previamente
estabelecida, em aparente normalidade, enquanto informações divulgadas pela imprensa apontavam tensão nos bastidores.

E é exatamente aí que mora o problema.

Como explicar à sociedade uma imagem de absoluta descontração quando o próprio presidente da Corte fala em gravidade, serenidade, firmeza e
necessidade de adoção de medidas cabíveis?

A contradição entre discurso e imagem é inevitável.

Edson Fachin afirmou que pretende agir diante da crise. Mas a sociedade não quer apenas discursos institucionais. Quer saber o que será efetivamente feito.
Quer transparência.

Quer investigação quando houver elementos que justifiquem investigação. Quer contraditório. Quer direito de defesa. Quer que eventuais responsabilidades sejam apuradas sem proteção corporativa e sem condenações antecipadas.

E, sobretudo, quer ter certeza de que ninguém está acima da lei, nem mesmo quem tem a missão constitucional de interpretá-la.

O Supremo precisa compreender o tamanho da crise de confiança

O STF ocupa uma posição central na República. Suas decisões afetam milhões de brasileiros e interferem diretamente nos rumos políticos e institucionais do
país.

Por isso, não basta estar juridicamente correto. É preciso também preservar a credibilidade da instituição.

Quando ministros aparecem sorrindo em meio a uma crise dessa magnitude, o cidadão comum pode interpretar a cena de maneira muito diferente daquela
pretendida pelos magistrados.

Pode enxergar arrogância. Pode enxergar despreocupação. Pode enxergar corporativismo. Pode enxergar a sensação de que nada acontecerá. Pode até concluir, equivocadamente ou não, que existe uma espécie de blindagem interna. É justamente essa percepção que o Supremo deveria combater.

A fotografia não prova culpa. Mas expõe um problema político É importante deixar claro: uma fotografia não prova crime, corrupção, favorecimento ou qualquer irregularidade. Também não demonstra que os ministros estavam comemorando o relatório da Polícia Federal ou qualquer decisão relacionada ao caso Master.

Transformar uma gargalhada em prova de crime seria tão irresponsável quanto ignorar as dúvidas legítimas levantadas pelos fatos que estão sendo discutidos.
O problema está em outro lugar. Uma instituição que exige respeito precisa compreender que também precisa inspirar respeito.

E respeito institucional não se impõe por decisões judiciais, discursos ou autoridade. Conquista-se por meio de comportamento, transparência e prestação de contas. O Brasil não quer um Supremo acuado. Quer um Supremo transparente!

O que está em jogo não é simplesmente a imagem de Alexandre de Moraes. Também não é apenas a atuação de André Mendonça, Edson Fachin, Gilmar
Mendes ou qualquer outro ministro. O que está em jogo é a credibilidade do próprio Supremo Tribunal Federal.

Se as acusações forem infundadas, que sejam esclarecidas. Se houver interpretações equivocadas, que sejam corrigidas. Se houver irregularidades, que sejam investigadas. Se houver responsabilidades, que sejam atribuídas dentro do devido processo legal.

Mas o que não pode prevalecer é a sensação de que a Corte simplesmente fecha as portas, silencia e espera que a tempestade passe. O cidadão brasileiro está cansado de instituições que parecem viver em outro país.

Enquanto o brasileiro enfrenta impostos elevados, violência, dificuldades econômicas, insegurança e descrença crescente nas instituições, assistir a
integrantes da mais alta Corte do país em uma cena de gargalhadas, justamente quando surgem graves questionamentos envolvendo um de seus ministros,
inevitavelmente provoca indignação.

Talvez tenha sido apenas uma piada. Talvez tenha sido apenas um momento de descontração. Talvez não exista absolutamente nenhuma relação entre os sorrisos e a crise. Mas a pergunta permanece: por que uma instituição que deveria ser exemplo de sobriedade, equilíbrio e transparência permite que uma imagem como essa se transforme no retrato de uma Corte aparentemente indiferente à indignação de parte da sociedade?

O Supremo não pode controlar as fotografias. Não pode controlar as redes sociais. Não pode controlar a opinião pública. Mas pode controlar sua resposta aos fatos.
E essa resposta precisa ser muito maior do que uma simples nota oficial.

A hora exige menos sorriso institucional e mais transparência O Brasil não precisa de um Supremo fragilizado. Precisa de um Supremo forte!

Mas força institucional não significa intocabilidade.

Uma Corte verdadeiramente forte é aquela que aceita ser questionada, permite que fatos sejam investigados, respeita o contraditório e demonstra que seus
próprios integrantes estão submetidos aos mesmos princípios republicanos que aplicam aos demais cidadãos.

Se não há nada a esconder, que se esclareça. Se não há irregularidade, que se demonstre. Se não há crime, que a investigação produza essa conclusão.

O que não pode existir é a impressão de que o Supremo ri enquanto o Brasil pergunta.

Porque, quando a confiança pública está em jogo, uma gargalhada pode durar alguns segundos, mas a desconfiança pode durar anos.

A Justiça precisa ser respeitada. Mas, para ser respeitada, também precisa demonstrar que não teme a verdade.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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