23 de setembro de 2026
Professor Taciano

Bombeiro: Fachin tenta botar “panos quentes” na crise do STF. Entenda”!

O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa um momento de forte tensão interna provocado pelos desdobramentos do caso Banco Master. Diante das divergências que vieram à tona nas últimas semanas, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, passou a adotar uma postura de maior articulação interna, com reuniões individuais com ministros e mudanças na condução de processos relacionados ao caso.

A movimentação ocorre após a sessão extraordinária de 15 de setembro, marcada por divergências entre integrantes do Supremo sobre a tramitação de
procedimentos envolvendo o Banco Master e informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira.

Fachin assume relatório da petição 16.662

Uma das principais mudanças ocorreu no início de setembro, quando Fachin assumiu a relatoria da Petição 16.662, procedimento relacionado a um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
O documento contém informações que mencionam o ministro Alexandre de Moraes.

A Petição 16.662 foi apresentada ao presidente do STF pelo ministro André Mendonça. Posteriormente, Fachin também concentrou na Presidência procedimentos relacionados às investigações do Banco Master.

A mudança de condução dos processos, entretanto, não representa o encerramento das investigações. Ao contrário: questões envolvendo relatoria, competência, tramitação e eventual reunião de procedimentos passaram a ocupar o centro da discussão no Supremo.

Sessão de 15 de setembro terminou sem conclusão

Na sessão do dia 15, o plenário analisou uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes que propunha a reunião da Petição 16.662 com a Petição 16.704, para tramitação conjunta.

Fachin e André Mendonça votaram contra a reunião dos processos. Luiz Fux e Cármen Lúcia anteciparam seus votos acompanhando o presidente da Corte. Do outro lado, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam
a reunião dos procedimentos.

O ministro Flávio Dino pediu vista dos autos e interrompeu a análise. Segundo o próprio STF, o mérito da Petição 16.662 não chegou a ser julgado naquela sessão.

Com isso, permanece pendente a definição sobre a forma de tramitação dos procedimentos relacionados ao caso.

Fachin busca reduzir a temperatura interna

Em meio às divergências, Fachin passou a realizar reuniões individuais com ministros da Corte. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (22), o objetivo é ouvir os integrantes do Supremo sobre a condução dos trabalhos e discutir os próximos passos diante do ambiente criado pelos desdobramentos do caso Banco Master.

A iniciativa pode ser interpretada como uma tentativa de reduzir a exposição pública das divergências e buscar uma solução institucional para os conflitos que passaram a envolver diretamente ministros do próprio STF.

O movimento ocorre justamente depois de uma sessão marcada por divergências sobre a reunião ou separação dos procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Mendonça reage e pede arquivo de representação

Outro capítulo da crise envolve o ministro André Mendonça. Em manifestação apresentada nesta terça-feira (22), Mendonça pediu o arquivamento da representação apresentada contra ele por Alexandre de Moraes. Na mesma manifestação, segundo informações divulgadas pela imprensa, Mendonça solicitou que fossem analisadas possíveis condutas atribuídas a Moraes.

Entre os pontos levantados estão questionamentos sobre a utilização de relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal e sobre a forma como determinadas informações teriam sido utilizadas nos procedimentos.

É importante destacar que as acusações e alegações apresentadas pelos ministros fazem parte de processos ainda em andamento e não representam conclusões definitivas sobre eventual responsabilidade de qualquer dos envolvidos.

Uma crise que expõe as divisões externas

O episódio evidencia uma situação pouco comum: ministros da mais alta Corte do país passaram a divergir publicamente sobre a condução de procedimentos que envolvem integrantes do próprio tribunal.

Além disso, o caso Banco Master colocou em discussão temas como impedimentos, suspeições, relatoria, competência, utilização de informações produzidas pela Polícia Federal e eventual abertura de procedimentos envolvendo ministros do Supremo.

O próprio andamento processual demonstra que ainda não existe uma definição definitiva sobre a forma como os diferentes procedimentos serão reunidos ou distribuídos. “Panos quentes” ou reorganização institucional?

A estratégia adotada por Fachin — concentrar procedimentos na Presidência, conversar individualmente com os ministros e buscar organizar a tramitação dos processos — pode ser vista como uma tentativa de baixar a temperatura da crise interna.
Mas o fato é que as divergências permanecem.

O pedido de vista de Flávio Dino adiou a conclusão da discussão sobre a tramitação conjunta dos processos, enquanto novas manifestações dos ministros ampliam o debate sobre os procedimentos relacionados ao Banco Master.

Por enquanto, o Supremo precisa definir como os processos serão conduzidos, quem deverá atuar em cada procedimento e quais questões deverão ser analisadas pelo plenário.

A crise, portanto, ainda está longe de uma solução definitiva. Fachin tenta reorganizar a casa e evitar que as divergências internas ganhem proporções ainda maiores. Resta saber se a estratégia de diálogo será suficiente para colocar “panos quentes” em um dos momentos de maior tensão interna da atual composição do STF.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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