9 de setembro de 2026
Professor Taciano

O grito de independência das ruas: o Brasil acordou!

Milhões de brasileiros vão às ruas no feriado da Independência em protesto contra Lula e Alexandre de Moraes

O 7 de Setembro de 2026 deixou de ser apenas uma data no calendário cívico brasileiro. Em diversas cidades do país, as ruas voltaram a ser ocupadas por brasileiros que decidiram transformar o feriado da Independência em um grande ato de protesto político.

As manifestações, previstas em pelo menos 15 municípios, tiveram dois alvos principais: Lula e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

E aqui está o ponto que não pode ser ignorado: quando milhares de cidadãos saem de suas casas em um feriado nacional para protestar, alguma coisa precisa ser ouvida.

Não se trata simplesmente de direita contra esquerda, trata-se da percepção de uma parcela da sociedade de que há um crescente distanciamento entre as instituições e aqueles que deveriam ser a razão de sua existência: o cidadão brasileiro.

Paulista volta a ser palco da insatisfação

A Avenida Paulista, em São Paulo, voltou a ser o grande símbolo das manifestações. O ato reuniu o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas (Republicanos).

Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common, cerca de 28,5 mil pessoas participaram da manifestação na Paulista.

Flávio Bolsonaro abriu seu discurso com uma palavra de ordem que sintetizou o sentimento de boa parte dos manifestantes: “Fora Lula e fora Moraes”. O senador também defendeu a saída de Alexandre de Moraes do cargo e afirmou: “Aquela laranja podre não pode contaminar toda a Corte. O Supremo não é Alexandre de Moraes, o Judiciário não é Alexandre de Moraes”.

A frase é dura. Mas é justamente esse o ambiente político que o Brasil atravessa: uma sociedade cada vez mais polarizada e uma parcela da população que passou a questionar abertamente a atuação de ministros da Suprema Corte.

Até onde pode ir o poder?

Essa talvez seja a pergunta que o Brasil precisa fazer.

Em uma democracia, ministros do Supremo possuem enorme responsabilidade institucional. Suas decisões podem afetar diretamente políticos, partidos, empresas e cidadãos comuns.

Por isso mesmo, quanto maior o poder, maior deve ser a responsabilidade e maior também precisa ser a transparência. O cidadão não pode ser tratado como inimigo simplesmente porque questiona uma decisão judicial.

Da mesma forma, criticar um ministro do STF não pode ser automaticamente confundido com atacar a democracia. Instituições fortes não são aquelas que não recebem críticas. São aquelas que conseguem suportá-las.

O recado das ruas

Os protestos também ganharam força após a quebra do sigilo e a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro. Durante as manifestações, houve ainda demonstrações de apoio ao ministro André Mendonça, visto por parte dos manifestantes como uma voz de contraponto dentro da Suprema Corte.

É preciso deixar claro: acusações e interpretações sobre mensagens divulgadas publicamente precisam ser apuradas pelos órgãos competentes. Não cabe ao jornalismo transformar alegações em verdades definitivas. Mas há algo que não depende de interpretação: o direito de protestar. E esse direito precisa ser respeitado independentemente de quem esteja no governo.

Quando a esquerda vai às ruas, a democracia não está ameaçada. Quando a direita vai às ruas, a democracia também não está ameaçada. A democracia está ameaçada quando alguém tenta decidir quem pode ou não pode ocupar as ruas.

Independência também é liberdade de opinião

O Brasil comemorou sua Independência no dia 7 de Setembro. Mas independência não significa apenas lembrar o rompimento político com Portugal em 1822. Independência também significa defender a liberdade de pensamento, o direito à crítica, a liberdade de expressão e o direito de discordar daqueles que ocupam o poder.

O brasileiro não pode ser obrigado a concordar com Lula. Também não pode ser obrigado a concordar com Bolsonaro. E muito menos deveria ser obrigado a concordar com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Democracia não é unanimidade. Democracia é convivência entre opiniões diferentes dentro das regras da lei. O recado das ruas precisa ser compreendido por todos os lados.

Ao governo, cabe governar para todos. Ao Congresso, cabe fiscalizar e legislar. Ao Judiciário, cabe julgar dentro dos limites constitucionais. E ao cidadão cabe aquilo que nenhuma autoridade pode retirar: o direito de pensar, questionar, protestar e escolher livremente seus representantes.

O 7 de Setembro de 2026 mostrou que existe um Brasil inquieto. Um Brasil que quer respostas. Um Brasil que questiona. Um Brasil que não aceita mais ser tratado apenas como eleitor na época das eleições.

E talvez seja justamente esse o maior recado das ruas: O poder emana do povo — e o povo não pode ser reduzido ao silêncio.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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