
A entrada do outsider Pablo Marçal na corrida presidencial está jogando uma pimenta ardida no balaio eleitoral deste ano.
Ele não é um sujeito tosco, tem formação em direito, é um empresário bem sucedido, dono de negócios em diversos setores da economia, inteligente e hábil com as palavras. Tem por hábito estudar os adversários e os seus pontos fracos, para desferir golpes certeiros e desestruturantes. Mas também tem propostas muito interessantes. E a melhor delas é o seu principal propósito de “varrer o PT da política”. Declarado por ele.
Se vai conseguir, não se sabe. Ele chegou na disputa de última hora, sem adquirir musculatura e apoios, com o partido que o acolheu, o PRTB. Mas o fato é que ele não parece se importar com isso.
Mesmo assim, incomoda muito o establishment. E isso, por si só, já vale acompanhar seu desempenho. Tanto, que o STE, enquanto não consegue tirá-lo do páreo definitivamente por meios legais (ou ilegais), já deu um jeito de afastá-lo dos debates.
Marçal é um coach de alta performance, embora muitos digam que não. É, inegavelmente, um mago das plataformas digitais, arrasta multidões em seus projetos para retirar as pessoas da escassez, em busca da prosperidade. Só no Instagram são 14 milhões de seguidores.
O que é certo é que ele veio para causar. Nenhum paulistano se esquece do “efeito Marçal” na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2024, que rendeu pesadelos a Ricardo Nunes, José Luís Datena e Guilherme Boulos. Sobrou provocação, cadeirada e expulsão. Quem não preparou a pipoca, assistiu a seco. Não dá para negar que o homem é um show.
Desta vez ele promete encarniçar e desvelar o verdadeiro perfil do tecno fascista Renan dos Santos, o candidato do Missão – mais um infiltrado da constelação de legendas petistas. Na verdade o candidato do MBL, perseguidor de blondies, é muito fraco, sem conteúdo e pífio na disputa. Nem valeria a pena Marçal bater nele, mas se diverte com isso.
Muitos dizem que ele é mais um “picareta da internet”, que vende cursos e ilusões a incautos. Mas não se pode negar que ele saiu do zero e prosperou. E vende sua própria receita. E, depois, vamos combinar, a política não é uma congregação de carmelitas, o que mais tem é picaretas.
O empresário das mídias diz que tem conversado com os demais candidatos que ele diz respeitar. Disse a Flávio que não vai atrapalhar, que Zema prejudicou sua disputa por precipitação e que lamenta o fato de Caiado ter se aliado a Kassab.
Enfim, o fato é que Pablo Marçal já entra com toda a movimentação que ele sabe fazer e, sem dúvidas, ninguém pode negar, que ele retirou a nuvem cinza dessa disputa eleitoral e vai torná-la muito mais divertida.

