
Hoje, na feira, numa banca os barraqueiros estavam se esgoelando: “sem anistia!”.
Nada a ver. São burros ou o quê? Vendedores não devem ter lado, nem ideologia.
Pensei, será que eu respondo, dou uma mini aula da história recente, digo quem na verdade é o presidente deles e detalho sua obra pregressa? Digo como ele é bundão e mentiroso, ao deixar outro governar por ele, enquanto ele só gasta. Respirei fundo, olhei para os dois e fiz o que todo mundo estava fazendo: passei reto.
A gritaria ficou ecoando até eu me distrair com outras bancas, com atendentes educados e silenciosos.
Não dá para ensinar quem não quer aprender, quem segue um líder decadente e se acha a última bolacha do pacote; quem gasta em um segundo o que ele leva meses para ganhar, levantando às quatro da manhã todos os dias.
Nunca comprei nada na barraca deles porque não sabem fidelizar clientes, são grosseiros e berram nos seus ouvidos quando passam. E agora, definitivamente, vou ignorá-los porque vivemos um tempo de posicionamento.
Esse é o brasileiro médio, sem sal, nem açúcar, que se espelha em figuras execráveis da república e se acham os malandrões da quebrada.
Tomara que a feira do dia tenha sido proveitosa, porque desejar o mal a quem não tem caráter é deixar de dar um voto de misericórdia a pobres de espírito.
Não devemos desperdiçar nenhum verbo com quem não ouve, só repete como os papagaios. É só fazer ouvidos moucos e passar reto.

