2 de julho de 2022
Colunistas Fernando Gabeira

Diário da crise CDLVII

Manifestações em Cuba, no fim de semana, foram notícia em todo o mundo. Não se sabe o alcance exato, fala-se em repressão e até mortos. Nada confirmado ainda, mesmo porque a internet está bloqueada.

O governo cubano culpou o embargo promovido pelos Estados Unidos.  Os  manifestantes teriam reclamado de apagões e também da política cubana durante a pandemia.

O embargo norte-americano talvez tenha um  novo tratamento com o governo Biden. Na verdade, tanto ao governo como aos manifestantes, o fim do embargo pode interessar. Para muitos, o crescimento de relações comerciais e do próprio intercâmbio de pessoas.

A reação inicial de Biden foi pedir ao governo cubano que ouça as pessoas, isto é, que dialogue com os manifestantes. Rússia e México advertiram contra qualquer intervenção externa e apelaram por uma solução pacífica.

Creio que a saída é mesmo uma solução pacífica como  parecem querer todos.

A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para saber se Bolsonaro, ao tomar conhecimento das irregularidades no caso da  compra da  Covaxin, cruzou os braços.
Esse inquérito foi pedido pela Procuradoria Geral que por sua vez foi pressionada pela Ministra Rosa Weber, do STF, a tomar uma providência.

Todo mundo correndo da CPI. A diretora da empresa Precisa que iria depor amanhã já entrou no STF para se blindar. O chamado reverendo Hamilton, do estranho caso das 400  milhões da dose da Astrazeneca, apresentou atestado médico.

Surgiu hoje a notícia de que a Copa América, tão criticada, acabou introduzindo no Brasil uma nova variante do Coronavírus, sem falar no grande número de contaminações entre os participantes.

Com tanto desgaste, a Copa América se realizou e a Argentina foi campeã, algo que, certamente, Bolsonaro não contava  quando decidiu trazê-la para o país.

Hoje tenho trabalho na emissora. Estou voltando ao famoso trabalho presencial, coisas ligadas aos 25 anos de aniversário da Gnews.

A crise política continua. Bolsonaro disse hoje que esperava contar com apoio de gente importante. Mas depois que disse que as eleições, sem voto impresso, não seriam realizadas, é difícil alguém ficar de seu lado.

Protestaram o presidente do TSE, Luiz Roberto Barroso, e seu sucessor o ano que vem, Ministro Alexandre de Moraes. Protestou, ainda que em tom suave, o presidente do Congresso e oito partidos políticos lançaram nota de protesto.

Bolsonaro ameaçou um golpe e sentiu a reação. E não foi ainda toda a reação. Os candidatos a presidente deveriam ter se unido para protestar também.
É legítimo defender o voto impresso. Mas se não tem maioria no Congresso, não há como impor na marra.

Fonte: Blog do Gabeira

Jornalista e escritor. Escreve atualmente para O Globo e para o Estadão.

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