11 de setembro de 2026
Carlos Leão

O chato: a verdadeira pandemia

Deus criou a luz, o homem criou a roda… e a vida, num dia de pura maldade, criou o chato.

Amigos, não sei se vocês perceberam… mas o chato, não só existe, como está em plena ascensão na Terra. Virou religião, partido político e, se duvidar, até aplicativo de celular.

Multiplica-se como Gremlin molhado: basta uma gota d’água e pronto, já temos uma legião de “Homo enjoatus” circulando por aí – verdadeiros cricris pela-saco em versão 5G!

E olhe, há vários modelos de chato. É quase uma linha de produção da insuportabilidade. Os velados, que disfarçam a chatice como quem passa perfume barato pra parecer Sauvage de Dior. E os explícitos, aqueles pegajosos versão Super Bonder humano.

Eis que surge o chato narcisista. Ele fala de si como se fosse a última temporada da Netflix. Só que você não pediu assinatura, nem quer saber da infância, da ex, do cachorro ou da gastrite dele. Você só queria tomar uma cerveja em paz e não assistir a um documentário sobre a vida dele.

Tem também o chato genético: este nasceu com o DNA da chatice. Repete histórias como se fossem Breaking News exclusivas, só que já rodaram sete temporadas, duas minisséries e um spin-off. “Já te contei do meu chefe?” – já, filhinho! 73 vezes apenas.

Agora, se você topar com o chato ansioso, corra. Esse aí é um ninja da interrupção: não deixa você terminar uma frase, completa errado e ainda discorda de algo que você nem disse. Dá vontade de pedir socorro a Jesus, Buda, Mãe Menininha e até à Madre Teresa.

E o chato dono da verdade? Esse é nível galáxia. É o STF da chatice. Não opina, decreta! Discordou? Bem-vindo à Faixa de Gaza.

Agora, um dos mais perigosos: o chato metido a engraçado. Esse é uma ofensa ao humor. Solta piadinha em velório, faz trocadilho em reunião séria… e, pior, insiste! Ele repete até alguém rir. Só que ninguém ri. A gente só ri de nervoso… tipo riso de refém.

Já o chato sem noção é um show à parte. O ambiente morreu, todo mundo cruzou os braços, desviou o olhar, pegou no celular… e ele lá, firme, contando história e se achando o stand-up do Faustão. É performance pura. Quer aplausos, quer ser o centro das atenções e apagar a luz de quem brilha. Tipo bombeiro do mês.

Agora, preparem-se… porque existe o chato forçador de amizade. Esse é o campeão absoluto. Te conheceu há duas horas e já pergunta quanto você ganha, quando vai casar, se já pensou em congelar óvulos Curiosidade? Não, filhinho. Isso é invasão de privacidade com GPS ativado.

O pior? Esta praga é contagiosa. Vai que um dia eu descubro que virei um deles? Estaria então no mais pedregoso dos caminhos. Aquele mesmo do poema: “No meio do caminho tinha uma pedra”.

Só que, no caso… tinha um chato.

E aí não tem Drummond, não tem poesia, não tem solução: só resta mudar de calçada… e pedir: Alexa, silenciar criatura.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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