
Lula não vai ao debate contra Flávio Bolsonaro na Globo.
Olá caríssimos,
A política brasileira entra na reta final do primeiro turno das eleições de 2026 com um episódio que promete alimentar o debate público: o presidente Lula, candidato à reeleição, não participará do último debate presidencial promovido pela TV Globo, marcado para esta quinta-feira (1º de outubro), às 21h30.
A ausência foi confirmada pela campanha do petista à emissora, conforme informações divulgadas pela imprensa. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa presidencial, confirmou presença no confronto.
Lula de acordo com agenda participa de entrevista no Flow Podcast, à noite. A decisão de Lula reacende uma discussão sobre a importância dos debates eleitorais como instrumento de transparência, confronto de propostas e prestação de contas à sociedade.
Uma estratégia conhecida, mas em outro cenário.
Não é a primeira vez que Lula opta por ficar de fora dos debates no primeiro turno. Em 2006, quando disputava a reeleição, o então presidente também não participou dos confrontos eleitorais.
Naquela ocasião, entretanto, o contexto era diferente: Lula desfrutava de ampla vantagem nas pesquisas e terminou reeleito após derrotar Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB, no segundo turno.
Em 2026, o cenário apresentado pelas pesquisas é distinto. O presidente enfrenta uma disputa acirrada com Flávio Bolsonaro, com indicadores de intenção de voto apontando proximidade entre os dois em um eventual segundo turno.
O debate que não terá o principal protagonista
A ausência de Lula no encontro da Globo deixa uma pergunta inevitável: por que um candidato que busca mais quatro anos no Palácio do Planalto decide não participar do último grande confronto televisivo antes da votação?
A campanha presidencial tem o direito de definir sua estratégia. Contudo, em uma democracia, o eleitor também tem o direito de esperar que os candidatos apresentem suas propostas, respondam a questionamentos e debatam publicamente os problemas nacionais.
O debate não é um favor prestado à emissora, tampouco um duelo pessoal entre adversários. É uma oportunidade para que milhões de brasileiros acompanhem diferentes visões de país e avaliem os argumentos apresentados.
O peso de uma cadeira vazia A expressão popular que dá título a este editorial, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, traduz, em tom crítico, o dilema político que envolve a ausência do presidente.
Comparecer significa enfrentar questionamentos de adversários e jornalistas em rede nacional. Não comparecer, por outro lado, significa abrir mão de um espaço relevante de exposição pública, especialmente quando o principal concorrente estará presente.
O eleitor, entretanto, não deve ser tratado como mero espectador de uma disputa de estratégias. É ele quem precisa decidir, nas urnas, qual projeto de governo considera mais adequado para o futuro do Brasil.
O julgamento será nas urnas
O debate da Globo está marcado para esta quinta-feira (1º), às 21h30, após o Jornal Nacional. Estão confirmadas as participações de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).
O primeiro turno das eleições será realizado no próximo domingo, 4 de outubro. Independentemente das justificativas apresentadas pelas campanhas, a ausência de um candidato à Presidência em um debate dessa dimensão é um fato que merece ser registrado e discutido.
A democracia exige mais do que discursos preparados, entrevistas selecionadas e aparições cuidadosamente planejadas. Exige também disposição para o contraditório.
No fim das contas, a cadeira vazia no estúdio poderá até ser uma escolha estratégica da campanha, mas a avaliação dessa escolha pertence ao eleitor.

