
A humanidade está embrutecida. Uma triste constatação.
Gente, vocês viram aquele menino corintiano que pediu a camisa do Neymar depois do jogo de domingo?
Foi tão hostilizado que teve que sair do estádio escoltado por seguranças.
Uma barbárie.
E isso me mexeu tanto que eu escrevi uma carta para ele.
Uma carta para ele guardar pela vida.
É rapidinho. Vou publicar aqui procês.
“Pedro,
eu conheci você ontem, logo após ter virado uma celebridade nacional nas redes sociais, aos oito anos de idade.
Muito prazer em conhecê-lo..
Muito prazer mesmo.
Porque já vislumbro o grande homem que você se tornará.
A grandeza de espírito se revela ainda na concepção.
Você nasceu assim, probo, puro de sentimentos corajoso, justo, autêntico e, principalmente, determinado. Você esbanjou personalidade e segurança, atributos inalienáveis dos homens retos.
Apesar do seu grande amor pelo Corinthians, você pediu a camisa de Neymar.
E pediu de uma maneira linda.
“Neymar, eu amo o Corinthians, mas sou seu fã. Me dá sua camisa”
Que frase extraordinária para um menino de oito anos!
Como eu te entendo, Pedro. Eu sou Fluminense.
Como eu queria a camisa do Rivelino, ídolo do Corinthians, depois da Copa de 70.
E como eu queria a camisa do Zico, ídolo do nosso arquirrival, o Flamengo.
E não havia contradição nenhuma nisso.
Porque rival não é inimigo.
O adversário não é aquele que devemos odiar.
É aquele que nos permite competir.
O futebol foi inventado para isso: para que pessoas diferentes possam se encontrar em torno de uma paixão.
O que aconteceu com você ontem foi o contrário disso.
Você foi atacado justamente porque foi capaz de admirar alguém que vestia outra camisa.
Não tenha vergonha disso, Pedro.
Não mude.
Não permita que a estupidez dos adultos roube de você uma das coisas mais bonitas da infância: a capacidade de admirar.
E não culpe o Corinthians.
O Corinthians é muito maior do que aqueles que confundem rivalidade com ódio.
Um dia, talvez, você nem se lembre mais daqueles que o agrediram.
Mas espero que nunca se esqueça de Neymar lhe entregando aquela camisa.
É uma lembrança de que, naquele dia, um menino teve coragem de ser simplesmente aquilo que era: um corintiano que admirava Neymar.
E isso, Pedro, não é traição.
É grandeza.
Guarde esta carta.
Guarde para quando você for adulto.
Conte essa história para seu filho.
E diga que, quando você tinha oito anos, um desconhecido lhe escreveu uma carta.
Uma espécie de carta de “avô para neto”.
Então, Pedro, receba o abraço desse seu “avô circunstancial”.
E nunca se esqueça:
ser puro não é ser fraco.
É uma das formas mais bonitas de ser forte”.

