1 de setembro de 2026
Carlos Leão

Pedro, não tenho medo de ser puro

A humanidade está embrutecida. Uma triste constatação.

Gente, vocês viram aquele menino corintiano que pediu a camisa do Neymar depois do jogo de domingo?

Foi tão hostilizado que teve que sair do estádio escoltado por seguranças.

Uma barbárie.

E isso me mexeu tanto que eu escrevi uma carta para ele.

Uma carta para ele guardar pela vida.

É rapidinho. Vou publicar aqui procês.

“Pedro,

eu conheci você ontem, logo após ter virado uma celebridade nacional nas redes sociais, aos oito anos de idade.

Muito prazer em conhecê-lo..

Muito prazer mesmo.

Porque já vislumbro o grande homem que você se tornará.

A grandeza de espírito se revela ainda na concepção.

Você nasceu assim, probo, puro de sentimentos corajoso, justo, autêntico e, principalmente, determinado. Você esbanjou personalidade e segurança, atributos inalienáveis dos homens retos.

Apesar do seu grande amor pelo Corinthians, você pediu a camisa de Neymar.

E pediu de uma maneira linda.

“Neymar, eu amo o Corinthians, mas sou seu fã. Me dá sua camisa”

Que frase extraordinária para um menino de oito anos!

Como eu te entendo, Pedro. Eu sou Fluminense.

Como eu queria a camisa do Rivelino, ídolo do Corinthians, depois da Copa de 70.

E como eu queria a camisa do Zico, ídolo do nosso arquirrival, o Flamengo.

E não havia contradição nenhuma nisso.

Porque rival não é inimigo.

O adversário não é aquele que devemos odiar.

É aquele que nos permite competir.

O futebol foi inventado para isso: para que pessoas diferentes possam se encontrar em torno de uma paixão.

O que aconteceu com você ontem foi o contrário disso.

Você foi atacado justamente porque foi capaz de admirar alguém que vestia outra camisa.

Não tenha vergonha disso, Pedro.

Não mude.

Não permita que a estupidez dos adultos roube de você uma das coisas mais bonitas da infância: a capacidade de admirar.

E não culpe o Corinthians.

O Corinthians é muito maior do que aqueles que confundem rivalidade com ódio.

Um dia, talvez, você nem se lembre mais daqueles que o agrediram.

Mas espero que nunca se esqueça de Neymar lhe entregando aquela camisa.

É uma lembrança de que, naquele dia, um menino teve coragem de ser simplesmente aquilo que era: um corintiano que admirava Neymar.

E isso, Pedro, não é traição.

É grandeza.

Guarde esta carta.

Guarde para quando você for adulto.

Conte essa história para seu filho.

E diga que, quando você tinha oito anos, um desconhecido lhe escreveu uma carta.

Uma espécie de carta de “avô para neto”.

Então, Pedro, receba o abraço desse seu “avô circunstancial”.

E nunca se esqueça:

ser puro não é ser fraco.

É uma das formas mais bonitas de ser forte”.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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