3 de julho de 2022
Adriano de Aquino Colunistas

Quem diria?

Os mantras ‘esperança e amor’ entraram no glossário da esquerda.

A apelação não é apenas falsa e ridícula. É, antes de tudo, uma senha para destravar a violência “do bem”.

No seu primeiro discurso como presidente da Colômbia, Petro ,um fofo, quase um Papa, encantou seus eleitores ao dizer: “Quantas pessoas morreram? Quantas pessoas estão na prisão atualmente? Quantos jovens estão acorrentados e algemados, tratados como bandidos? E… Tchan… “esses jovens, são tratados como bandoleiros simplesmente porque eles tinham amor e esperança”. Sua fala atinge o ápice da bondade ao solicitar ao procurador geral da nação que “liberte nossa juventude”.

Poucas vezes ouvi um discurso piegas tão cretino. Mas há quem goste desses rompantes de doçura e bondade. Não apenas os eleitores colombianos do Petro. Até mesmo, aqui no Brasil, a província do amor tropical, vi entusiastas aplaudirem sua vitória como uma derrota do ‘fascismo’. Sim, isso mesmo! Ainda que o ‘Amor e a Esperança’ tenham entrado no bestialógico progressista, o termo fascista não foi reciclado, permanece vigente.

Tudo mudou. Menos o bestialógico vocabulário progressista em alusão ao período histórico do fascismo triunfante.

Hoje, o fascismo é uma senha inócua.

Um rotulo bilateral. Uma marca de fantasia aplicada ao bel prazer, tanto pela esquerda quanto pela direita.

Imagem: Google Imagens – Señal Memoria

Se para seus seguidores Petro se tornou um ‘anjo’ e seu passado deve ser esquecido, a insensível(sic) BBC faz questão de lembrá-lo. Na resenha do periódico britânico, Petro teve uma trajetória marcada pela violência. Quando jovem guerrilheiro, foi membro do M19. É da safra desse grupo guerrilheiro a invasão da Embaixada da República Dominicana, com centenas de reféns, quando acontecia um coquetel com diplomatas de vários países. Após quase dois meses de negociações, o evento terminou sem derramamento de sangue. Ufa! Um ponto para a ‘bondade’ que só surgiria mais tarde com a ‘outra vida’ do personagem.

Em 1985, o ‘jovem’ Petro, estava preso quando ocorreu o “Movimento 19 de Abril (M-19). A ação ‘tomada do Palácio da Justiça’ foi uma operação sanguinária que resultou em mais de 100 mortes e desaparecimentos, incluindo 11 magistrados da Suprema Corte do país, relata a BBC.

Ouvir o agora presidente Petro clamar à justiça colombiana “que libere nossa juventude” me parece injusto com o povo colombiano. Em 1985, o jovem Petro estava preso. Se estivesse em liberdade seria corresponsável pela carnificina no Palácio da Justiça. Uma carnificina que ruborizou até as execuções do Dia dos Namorados, na Chicago dos anos 20.

Vamos lá! Libertem todos. O Estado deve se omitir no tocante a justiça.

Esse conceito é um preâmbulo para a carnificina e o crime no âmbito privado, não mais como um problema social. Apenas impactam os familiares e os leva ao pranto.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 Mam/ Rio de Janeiro, Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da Funarj, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /Funarte e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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