4 de junho de 2026
Adriano de Aquino

Indiferença e desconexão

Indiferença e desconexão com a realidade parece ser a principal característica do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (Partido Trabalhista).

Sua gestão enfrenta crescente protesto popular, severa rejeição nas urnas e fragmentação da sua base aliada. Mas, Keir não está nem aí!

Ele continua afirmando, publicamente, que intenciona manter-se no cargo para “enfrentar os grandes desafios”(ops) quando, de fato, o maior desafio que tem à frente, ao lado,por cima e por baixo, é um cenário de instabilidade crescente.

Mais de 80 deputados do próprio Partido Trabalhista exigem formalmente que Starmer renuncie ou estabeleça um cronograma definitivo para deixar o cargo. O governo perdeu importantes nomes ministeriais de forma consecutiva. Ministros entregaram seus cargos denunciando a “falta de liderança” de Starmer.

Onze sindicatos trabalhistas afiliados emitiram uma declaração conjunta retirando o apoio ao premiê, afirmando textualmente que ele não tem condições de liderar o partido nas próximas eleições gerais, além de uma bruta rejeição popular que incidiu em fiasco nas eleições locais.

Dados do instituto ‘YouGov’ apontam uma taxa de desaprovação negativa de Starmer na casa dos -48%, níveis comparáveis aos piores momentos de gestões conservadoras anteriores.

Revoltado com a alta de impostos e a condução da crise migratória, eleitores tradicionais têm abandonado a legenda em direção ao Partido Verde (à esquerda) e ao Reform UK (direita anti-imigração liderada por Nigel Farage).

Não bastasse isso, o cenário de instabilidade social se agravou após manifestações violentas na cidade de Southampton.

O Caso Henry Nowak, explodiu em protestos após a condenação do assassino do estudante. Manifestantes atacaram forças policiais em meio a acusações de conduta inadequada da polícia no caso. Mas, Starmer não está nem aí!

Tenta alienadamente fazer valer sua narrativa.

Trata os protestos em Southampton como desordem “imperdoável” e rejeita alegações de tratamento desigual da polícia, quando todo britânico sabe que não fosse a conivente leniência dos policiais o jovem Henry Nowak estaria vivo.

Isso sim é imperdoável, dizem os cidadãos britânicos.

Em 3 de dezembro de 2025, Henry Nowak, estudante de Contabilidade e Finanças na University of Southampton, foi esfaqueado cinco vezes por Vickrum Digwa, um homem sikh de 23 anos, que utilizou uma adaga de grandes dimensões para cometer o crime.

Paradoxalmente, a esperança de Henry ao ver a polícia chegar ao local se converteu em desespero.
Os policiais acharam ‘natural’ -coisa banal- Digwa desferir cinco facadas mortais em Henry como resposta a um hipotético “ataque racista” por parte de Nowak.

As imagens gravadas pelas câmeras dos próprios agentes da Polícia de Hampshire revela que os policiais- doutrinados pela cultura woke, queridinha de Starmer- optaram ‘politicamente’ por aceitar a falsa denúncia de racismo, ignorando os apelos de Henry Nowak, imobilizando-o e algemando-o no chão enquanto ele sangrava.

Nowak implora repetidamente por socorro “Não consigo respirar”. Um dos policiais responde friamente: “Acho que não, amigo”. O jovem estudante morreu pouco tempo depois, ainda algemado.

Vickrum Digwa foi julgado e condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Henry Nowak. O juiz do caso reconheceu formalmente que o crime acirrou severamente as tensões raciais no país.

A pergunta crucial : e os policiais? pulsava nos corações e mentes dos britânicos.

A divulgação dos vídeos gerou manifestações violentas em Southampton.

É essa indignação legitima que o tonto Starmer chama de “imperdoável”.

Todavia, toda gente sabe que imperdoável e criminosa é a politica migratória de Starmer que induziu na corporação policial o medo de acusações judiciais de racismo que paralisou a ação dos oficiais da policia britânica.

Keir Starmer, segue mergulhado no delírio de poder.

Condenou as manifestações e a inevitável exploração política da tragédia.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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