
Desviei o navegador digital dos temas recorrentes da grande imprensa e de seus servidores(+ do mesmo).
Passei ao largo das TL’s autorreferentes, distanciei léguas dos compartilhamentos que cultuam o mais vulgar dos líderes políticos, dos marqueteiros que redimem os carrascos dos regimes macabros, dos tutoriais econômicos para acumular fortuna, dos posts deslumbrados e receitinhas de sucesso para uma ‘vida feliz’ que fluem nas redes sociais e abri o texto: “O Milagre Ordinário de Existir” (no original em inglês, The Ordinary Miracle of Existing), escrito pelo físico de alma filosófica Alan Lightman para a revista The Atlantic( restrito a compartilhamentos).
No artigo, Lightman aborda a profunda “improbabilidade estatística da vida humana no cosmos.”
Lightman, conhecido por cruzar as fronteiras entre a ciência e a espiritualidade secular, coloca uma questão crucial que todo vivente deveria fazer logo ao acordar: “estar vivo é a maior sorte que qualquer um de nós jamais experimentará.”
O texto convida o leitor a refletir sobre a nossa existência a partir de uma perspectiva puramente física, mas profundamente poética: _A Improbabilidade Cósmica da existência humana diante da vastidão de um universo majoritariamente composto por matéria inanimada, vazio e caos e a complexa organização da matéria necessária para gerar uma criatura consciente é um evento “estatisticamente quase impossível.”
O conceito de “Milagre Ordinário” não recorre ao sobrenatural. O mistério da vida é o grande e mais assombroso ‘milagre’ e ele é estritamente físico/material.
A cultura elenca as maravilhas do mundo.
Das sete, setenta ou sete mil maravilhas, a combinação aleatória de átomos que formam o nosso corpo e nos dão a capacidade de pensar, sentir e contemplar o próprio cosmos é a maior e mais deslumbrante das maravilhas.
Alan Lightman e Carl Sagan compartilham a rara habilidade de conectar a ciência rigorosa ao fenômeno da existência, à poesia e à filosofia.
Embora tenham focado em áreas diferentes (Sagan na astronomia e Lightman na física teórica), ambos transformaram dados frios do universo em narrativas profundas sobre a existência humana.
Lightman nos lembra de que somos feitos de “poeira de estrelas”. O período em que nossos átomos permanecem unidos para formar nossa consciência é apenas um breve piscar de olhos no tempo cosmológico, o que torna cada segundo de vida ainda mais valioso.

