
Em 4 de julho de 2026, os EEUU celebrarão 250 anos da assinatura da sua Declaração de Independência.
Há poucos dias da comemoração nacional, sob o governo de um presidente republicano na condução do projeto oficial ‘America 250’, que promove eventos nacionais, regionais e comunitários para relembrar a história do país, virou alvo de críticas por parte de políticos democratas, ativistas de vertentes ideológicas antagônicas, artistas e intelectuais, reacendendo o debate sobre a legitimidade de tradicionais ícones da revolução americana e glória republicana.
O “Battle Hymn of the Republic” (Hino de Batalha da República) se tornou um dos alvos da contestação. Progressistas contemporâneos já criticavam o hino por considerá-lo a expressão máxima do nacionalismo religioso e da religião civil americana. O hino é reverenciado em várias cultos religiosos dos Estados Unidos e paralelamente criticado por progressistas.
Agora, com o culto ‘woke’, a critica foi ampliada em uma espécie manifesto ‘identitário’ que acusa o popular hino de segregar vertentes religiosas ao fundir uma identidade política e militar dos Estados Unidos com a vontade divina de Deus, criando uma narrativa perigosa de “guerra santa”(ops!). Porém, vozes sensatas se manifestam para dirimir dúvidas e manipulações e colocar o foco histórico no lugar certo.
É o que fez o editor chefe da Revista Atlantic, uma publicação tradicional, baluarte do movimento progressista norte americano. Em um dos trechos do editorial Jeffrey Goldberg, editor-chefe, escreveu na apresentação da edição de julho:
“(…) é particularmente comovente saber que quase certamente nunca mais publicaremos algo que transcenda o espaço e o tempo com tanta força. É bastante interessante, e de certa forma humilhante, perceber que a peça jornalística mais importante publicada ao longo dos 169 anos de história desta revista não foi jornalística, mas sim um poema. O poema “Hino de Batalha da República”, parafraseando sua estrofe final, “transfigura você e eu”. Estamos apresentando-o em nossa capa de julho em comemoração ao 250º aniversário da fundação da república. Julia Ward Howe, autora do “Hino de Batalha” — que ela escreveu em uma noite febril no Hotel Willard, em Washington, DC. e recebeu US$ 4 ou US$ 5 por sua contribuição. O poema foi publicado em nossa edição de fevereiro de 1862 sem sua assinatura, como era costume na época. Uma das muitas razões pelas quais queríamos que o “Hino de Batalha” representasse a revista The Atlantic no aniversário de duzentos e cinquenta anos da independência americana era que isso nos permitiria imprimir o poema com a assinatura de Howe em nossa capa pela primeira vez. Era o mínimo que podíamos fazer, considerando tudo o que ela fez por esta revista e por seu país como abolicionista e sufragista. E também porque escrever parecia, às vezes, tão difícil pra ela”

