Vertigem Bolchevista


O que mais me espanta na reedição pós moderna da fábula do ativismo burguês em prol da ‘ditadura do proletariado’, não é a devoção e a militância da mãe e do pai da jovem cineasta Petra à causa comunista.
Sou da mesma geração dos pais dela.Não só entendo como participei, convergi, como grande parte da juventude dos anos 60/70, com a ideologia de esquerda.
Mas, após as revelações das atrocidades, perseguições e crimes cometidos pelos regimes stalinista, maoista, Khmer vermelho e castrista, isto é, no limiar dos anos 80, os amigos de militância esquerdista que não ousaram fazer um mergulho critico sincero na sombria historia das revoluções do Século XX, ficaram cativos da Utopia e se tornaram fanáticos.
Queiram ou não – admitam ou não – pactuaram – muitos pactuam até agora (mais uma edição do Foro de São Paulo abre hoje na ditadura bolivariana do Maduro) com a perversidade de um ideal (sic) romântico, supostamente libertário mas, na verdade, cruel, que autoriza os artífices da manipulação da juventude da atualidade, ocultando um projeto de poder que visa suprimir as liberdades individuais em prol de um coletivismo hipócrita.
Um coletivismo estúpido, submisso e servil às lideranças espúrias, autoritárias,populistas e corruptas.

É espantoso que a jovem Petra, que acha uma virtude ter a mesma idade da democracia brasileira, cultue uma espécie de marxismo cultural ‘chic’, tenha adotado o formato documental, magistralmente crítico e pleno de talento quando dirigido por cineastas originais, como Orson Welles, para fazer um panfleto patético, uma propaganda piegas, senil e fantasiosa, tão ou mais caquética que os depoimentos acríticos da sua mãe, sobre um período recente da historia brasileira.

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