Você frita, assa, grelha, cospe ou engole?


Dia 14 de julho, no ar, durante o desfile militar nos Champs-Élysées, em Paris, comemorando os 230 anos da Revolução Francesa, jatos, drones e uma mostra do primeiro soldado voador do mundo. No chão, tanques, soldados, cavalos, Legião Estrangeira e os “coletes amarelos” apanhando da polícia porque os franceses estão passando fome.
Nos Estados Unidos, enquanto comemora-se os 50 anos do Homem na Lua e prepara-se a ida à Marte; Donald Trump é criticado por conter a imigração e expulsar ilegais. Ninguém lembra que os últimos presidentes democratas, Obama e Clinton, expulsaram muito mais.
Bem longe dos Estados Unidos e da França, a China já está no ano 2040, depois de dominar o mundo.
Enquanto isso, no Brasil, a maior preocupação é se Eduardo Bolsonaro pode ou não ser embaixador do Brasil.
É por isso que na Finlândia as coisas funcionam. E muito melhor.
Na plateia do circo, sem mais o que fazer, rio. Porque só dói quando eu rio.
Condenando o “embaixador”, os “à toa na vida” atacaram o inglês e o hambúrguer de Eduardo Bolsonaro.
Entre as piadas sem graça, uma daquela coisa chamada Marcelo Freixo que tweetou: “Eu pensei em incentivar meu filho a fazer o Instituto Rio Branco, mas acho que é melhor matricular na Wizard, afinal basta saber inglês pra ser embaixador”.
E levou esta do cidadão Jorge Elias: “Não cara… Incentiva ele a ser tratador de animais em zoológico. Dá muito mais dinheiro…”. Kkkkkkkkkkkkkkk!
Assim, descrente na vida inteligente, mas bem humorado, escrevi um primeiro texto defendendo e explicando a nomeação de Eduardo Bolsonaro. Não deu certo.
Continuaram a crucificar Eduardo pelo fato imperdoável de ele ter fritado hambúrguer, em seu intercâmbio nos Estados Unidos.
Então, num segundo texto, defendi e expliquei o frigir dos hambúrgueres de Eduardo. Não deu certo. Nem desenhando!
O nível vai baixando, os argumentos derretendo. Agora, a discussão é de ordem culinária. Eduardo Bolsonaro não pode ser embaixador nos Estados Unidos porque, na verdade, não se frita hambúrgueres. Como o legítimo rocambole tem que ser assim, a legítima empada tem que ser assada, o legítimo hambúrguer tem que ser grelhado ou, invejoso da empada, também assado.
E agora? Como vou conseguir dormir?
E o pastel? Frito ou assado? E a sardinha? Frita, assada, cozida, enlatada?
E a tainha? E o bolinho de bacalhau português que é norueguês?
E a comida mineira que é paulista?
E a feijoada? É baiana, carioca, escrava? E a peixada? E a moqueca?
Onde vamos parar!?
Vou ter que desenhar dinossauros nas paredes das cavernas?
Falar grego antigo com os selvagens troianos?
Por esta lógica de Platão e Aristóteles Onassis; fritando, assando ou grelhando, Eduardo Bolsonaro deveria pleitear a embaixada da Alemanha, no máximo o consulado em Hamburgo, onde nasceu a iguaria mais americana do mundo.
Por esta filosofia de USP ou engole, a Itália também dança. Sim, porque pizza de verdade é a paulistana. O macarrão é chinês e a Cicciolina é húngara!
Aparentemente, da Itália sobrou apenas a família Bolsonaro que lá é Bolzonaro. Então, já pra Roma, Eduardo!
Esta moda de pegar no pé dos Bolsonaro já encheu o saco e só tem quando o humorista/imitador é bom. Humor bom é humor engraçado, ponto.
Uma hora é o presidente, depois Paulo Guedes, depois Sérgio Moro, Ernesto Araújo, Damares, ministros da Educação, Olavo de Carvalho, os filhos.
Ainda na campanha, acusavam Bolsonaro de não entender de Economia, coisa que nem os economistas conseguem, caso contrário o mundo não estaria nesta lama.
Mesmo assim, aposto minhas fichas no Paulo Guedes, no Moro e no resto. E no Bolsonaro, claro. Passa a régua e o rodo! Passa mais tarde!
E acredito no Eduardo Bolsonaro embaixador. A maior qualidade dele é ser filho do Homem, do Messias. É o que Trump quer, confiança, parceria, lealdade. Ou vocês preferem o Celso Amorim?
Presidente não precisa ser economista, médico, capitão ou professor.
Embaixador precisa nem saber fazer hambúrguer. O chef faz.
Então: Eduardo embaixador nos Estados Unidos porque sabe fritar hambúrguer, Carlos na embaixada na Rússia porque bebe vodca e Flávio na China porque sabe fazer negócios de lá.
O resto que vá cuspir ou engolir na embaixada do Brasil na PQPariustão.
PS: Provavelmente, amanhã vou ter que discutir sobre o hambúrguer vegano. Ou seria vegetariano?

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