21 de junho de 2026
Adriano de Aquino

Fluxo migratório é fenômeno histórico

A troca étnica cultural e o deslocar de gente do local de origem para outros destinos onde se estabelecem e criam famílias, seja por circunstancias urgentes: perseguição político/religiosa, opressão, êxodo, miséria, ameaça à vida, opção pessoal etc é uma característica intrínseca à história da humanidade.

A ciência genética comprova que o DNA humano se espraiou e continua se mesclando por todo planeta. De geração em geração, migrantes assimilados pela cultura onde se estabelecem, tornam-se tão naturais quanto os ‘nacionais’. Esse conhecimento cientifico derruba toda tese alucinada de purismo racial.

O que hoje se tornou crise migratória levanta questões cruciais.

A recente crise migratória no Ocidente eclodiu de forma aguda a partir de 2015, impulsionada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e na África, e tem sua origem política ligada ao conflito entre o direito humanitário internacional e a soberania nacional. O debate central gira em torno da flexibilização das fronteiras e da diluição prática das distinções jurídicas entre refugiados (indivíduos sob ameaça direta de morte ou perseguição) e migrantes econômicos.

Embora os fluxos migratórios sejam contínuos, a crise internacional consolidou-se em 2015.

A Primavera Árabe, a Guerra da Síria, o colapso de regimes no Norte da África (como na Líbia) e o início da guerra civil síria forçaram milhões de pessoas a buscar abrigo em países do Ocidente.

Essa realidade moldou a percepção pública de perda de controle das fronteiras e a pressão sobre os serviços de bem-estar social na Europa e nas Américas.

Hoje, as correntes políticas de esquerda são vistas como principais responsáveis pela diluição oportunista das políticas de refúgio e abrigo.

Movimentos regionalistas, rotulados pela esquerda como extrema direita, atacam a manobra progressista da flexibilização dos critérios de migração como potencial eleitoral em beneficio das organizações progressistas.

A hipótese de que partidos de esquerda ou progressistas atuam para flexibilizar critérios de acolhimento — enxergando os fluxos migratórios como uma futura base eleitoral — é amplamente defendida por analistas conservadores.

A violência, estupros em massa, desprezo e rejeição pelo povo e cultura dos países anfitriões, a politização, a discriminação religiosa e os custos elevados para manutenção de programas de apoio ao imigrante, argumentos apontados pelas vertentes conservadoras, escalaram a crise migratória para confrontos violentos entre grupos regionalistas e políticos de esquerda.

A esquerda tradicionalmente adota uma abordagem pós-nacionalista, priorizando o direito humanitário global e a livre circulação em detrimento da soberania estrita do Estado-nação.

Com o enfraquecimento histórico dos sindicatos e da classe operária tradicional no Ocidente como força politica/ideológica, os críticos dessa politica argumentam que setores progressistas buscam novas coalizões identitárias, incluindo imigrantes e minorias para suprir os votos que perderam na composição eleitoral.

Para ampliar sua base eleitoral, as políticas progressistas aceleraram a regularização da cidadania, concedendo direito ao voto a residentes estrangeiros em eleições locais (como ocorre em alguns países europeus) facilitaram a naturalização, e são agora vistas por um contingente crescente de regionalistas( ‘extrema direita’- codinome usado pela imprensa progressista) para atacar as estratégias progressistas de moldar a seu favor a demografia eleitoral a médio e longo prazo.

Movimentos regionalistas enfatizam a homogeneidade cultural ou a preservação de tradições locais. Eles argumentam que a imigração em larga escala, sem critérios de gradual assimilação cultural , fragmenta o tecido social e cria sociedades paralelas (guetização).

A ‘extrema esquerda’ ( rótulo invisível na imprensa progressista) argumenta, a seu favor, que o Ocidente enfrenta um inverno demográfico (envelhecimento severo da população e baixas taxas de natalidade) e que a entrada de trabalhadores migrantes é vital para manter os sistemas de previdência social funcionando, independentemente de como essas pessoas votarão no futuro (sic).

A retórica política/ideológica da esquerda se sustenta na tese de que a crise demográfica do Ocidente será solucionada com “rejuvenescimento demográfico”, “renovação da força de trabalho” e “vitalidade populacional” ao agregar grande massa migratória.

Para defender essa tese alucinada, os mais histriônicos parlamentares progressistas consideram uma ‘boa ideia’ substituir a sociedade ‘envelhecida e decrescente’ da Europa por outra novinha em folha, dotada de explosivo crescimento familiar.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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