21 de junho de 2026
Carlos Leão

Curaçao deu aula – de Futebol e de humildade

O futebol tem dessas coisas. Por isso encanta e fascina

O futebol tem dessas coisas…

Às vezes, ele ensina uma lição justamente onde quase ninguém esperava encontrar.

Curaçao. Um pequeno país, desses que muita gente precisa procurar no mapa, chegou à Copa do Mundo e descobriu que um gol pode valer mais que uma taça.

Contra a Alemanha, levou 7 a 1. Mas marcou um gol. E comemorou como se tivesse conquistado o mundo.

E talvez tenha mesmo.

Porque há vitórias que não cabem no placar.

Depois veio o empate com o Equador. Primeiro ponto de Curaçao em uma Copa. Para um país pequeno, foi como ganhar um campeonato inteiro.

E eles entenderam uma coisa que às vezes esquecemos: participar, lutar, representar, entregar tudo… já é uma conquista.

Cada defesa do goleiro. Cada passe certo. Cada dividida. Tudo era celebrado.

Pareciam gladiadores?

Sim.

Mas gladiadores de um tempo diferente: sem arrogância, sem peso, sem a obrigação de provar nada para ninguém.

Apenas felizes por estarem ali.

E eu me lembrei de Gonzaguinha:

“Eu fico com a pureza da resposta das crianças…”

Porque talvez seja isso que Curaçao esteja mostrando ao mundo: a beleza de quem joga com o coração.

Quando o rei e a rainha dos Países Baixos entraram no vestiário para comemorar junto com os jogadores, ficou evidente: aquilo não era só futebol. Era identidade. Era orgulho. Era pertencimento.

Enquanto isso, uma torcida japonesa continua dando aula de civilidade, limpando as arquibancadas depois dos jogos. Porque o espetáculo não termina quando o árbitro apita.

E o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, mostrou que uma defesa pode contar uma história inteira. Parou uma gigante, emocionou o mundo e virou símbolo de uma Copa que ainda está descobrindo seus personagens.

Talvez a maior beleza do futebol esteja justamente nisso:

Ele não é feito apenas de campeões.

É feito de jornadas.

De quem chega desacreditado e joga como se carregasse uma nação inteira nos ombros.

De quem entende que ídolos não se diminuem: se reverenciam, se estimulam e se exaltam.

De quem sabe que vestir uma camisa é uma honra, não um incômodo.

Curaçao nos lembrou algo simples, mas poderoso:

No futebol — e na vida — nem sempre vence quem levanta a taça.

Às vezes, vence quem nos faz lembrar por que amamos esse jogo.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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