19 de maio de 2026
Carlos Leão

Não foi a seleção. Foi Neymar

Perdi a conta da última vez que segurei a camisa da seleção com alguma paixão

A apresentação da convocação da Seleção Brasileira foi tão teatral que, em alguns momentos, eu achei que tinha errado o canal e entrado na estreia de uma novela mexicana produzida pela CBF.

Luzes. Suspense. Cantoria. Entrada triunfal. Uma cafonalha. Convidados internacionais. Ex-jogadores. Apresentadores daquela conhecida emissora. Quatorze países representados. Um evento tão cinematográfico que faltou só alguém anunciar: “em instantes, cenas dos próximos capítulos…”

E no centro de tudo, a cara do Ancelotti, tadinho. Um italiano experiente, vencedor de tudo, olhando aquela produção com a expressão de quem pensava: “Madonna mia… mas eu vim aqui treinar futebol ou apresentar o Oscar?”

Mas Confesso uma coisa: fazia muito tempo que eu não assistia uma convocação da Seleção com ansiedade.

Não pela convocação.

Mas Pelo Neymar.

Hoje no café da manhã perguntei à Thaïs, minha mulher e à minha filha Flávia : “Citem um jogador da Seleção.” Resposta imediata: Neymar.

Só.

E talvez aí esteja o problema.

Porque nossa Seleção hoje parece uma franquia internacional. A maioria joga fora, um técnico italiano — competente, claro — e um monte de jogadores que o brasileiro conhece pelo tradicional “ouvi dizer”.

Cadê o DNA? Cadê a identificação? Cadê o sujeito que a gente xinga, ama, perdoa e volta a amar?

A verdade é que a convocação não era da Seleção.

Era do Neymar.

E Ancelotti e a CBF entenderam isso. Fizeram um teatro digno de última semana de novela. Deixaram o suspense pro capítulo final porque sabiam: o país não queria saber dos 26 convocados.

Queria saber de um.

Neymar.

E o mais impressionante: eles conseguiram algo raro. Reacenderam uma coisa que eu achei que tinha acabado.

Esperança.

Aliás, eu não aguento mais ouvir “hexa”. Há vinte e quatro anos é hexa, hexa, hexa… Se dependesse de mim, pulava direto pro hepta.

Mas confesso uma coisa: hoje essa camisa amarela voltou pro meu ombro.

E talvez tenha sido esse o verdadeiro efeito Neymar. Ancelotti não convocou só um jogador.

Convocou o Brasil.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.