30 de maio de 2026
Carlos Leão

As mães da minha vida

Uma mãe além do seu tempo. Uma esposa elegante, forte e decisiva. Uma filha no seu 1º Dia das Mães. E eu, feliz, vivendo no meio delas.

Há homens que mandam na casa.

Eu, por exemplo, moro com mulheres.

É diferente.

Começando pela minha mãe, Marlene, que aos 92 anos resolveu envelhecer sem pedir autorização à velhice. Mora de frente pro mar, em Vitória, o que talvez explique sua mente aberta, porque aquele vento marítimo claramente entra pela janela e bagunça qualquer tentativa de pensamento antigo.

Minha mãe está uns vinte anos à frente da modernidade. Talvez trinta.

É completamente digital. Conversa por vídeo, resolve coisas no celular, encaminha mensagens antes mesmo da família descobrir o assunto e trata os aparelhos auditivos como quem convive com dois estagiários incompetentes

E faz piada. Sempre faz piada.

Talvez seja esse o segredo da juventude: rir até das próprias dificuldades antes que elas criem intimidade.

Mas minha mãe segue luminosa. Dessas pessoas que entram num ambiente e melhoram discretamente a temperatura emocional do lugar. Porteiros, cuidadoras, assistentes, todos a curtem imensamente. Até quem entrega água mineral sai do apartamento se sentindo especial.

Já Thaïs, minha mulher, pertence a outra categoria da natureza: a das mulheres que sustentam a vida sem precisar anunciar isso.

Elegante. Bela. Inteligente. E brava.

Importantíssimo registrar a parte do “brava”, porque omitir isso seria comprometer seriamente a credibilidade desta homenagem.

Thaïs é dessas mulheres que conseguem ser refinadas sem esforço. Uma hostess impecável. Uma dona de casa absurdamente organizada. Uma mãe presente. Uma mulher forte. Dessas que seguram a família inteira com uma mão e a fé em Deus com a outra.

E olha… não é pouca coisa.

Existe uma espécie de autoridade silenciosa nas mulheres fortes. Elas não precisam levantar a voz. Basta um olhar. O homem imediatamente reconsidera escolhas, opiniões e, em casos extremos, até a roupa que escolheu para sair.

Nossas três filhas herdaram isso dela.

O que me leva à Eduarda.

Nossa filha do meio. Engenheira brilhante. Organizada em níveis quase militares. Linda como a mãe. Brava como a mãe. E tão parecida fisicamente com a mãe que às vezes tenho a impressão de que o DNA resolveu economizar criatividade.

Mas agora Eduarda entrou para outra dimensão da vida: a maternidade.

E este é seu primeiro Dia das Mães.

Laura chegou há nove meses e, desde então, a família inteira vive oficialmente sequestrada por um bebê sorridente com propaganda permanente de comercial tipo “Bebê Johnson”.

Laura melhorou tudo.

A casa. O humor. Os almoços. Os silêncios. O futuro.

E talvez seja isso que as mães façam desde sempre: elas melhoram o mundo sem precisar discursar sobre isso.

Minha mãe melhorou o mundo com alegria.
Thaïs melhora o mundo com força.
Eduarda começa agora a melhorar o mundo com amor recém-inaugurado.

E eu, cercado por essas mulheres todas, aprendi uma coisa importante: Deus foi muito generoso comigo.

Às vezes eu acho que Ele tenha até exagerado um pouco colocando tantas mulheres fortes na minha vida ao mesmo tempo.

E como sou grato por isso! Vocês não imaginam.

Em nome dessas três mulheres e mães extraordinárias, rendo minha homenagem às mães do mundo.

Porque, olhando bem, são elas que impedem a civilização de desandar de vez, enquanto nós, homens, seguimos procurando a chave do carro.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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