
A elegância morreu. E o mais curioso… é que quase ninguém percebeu.
Hoje se fala muito em liberdade, autenticidade, conforto…
Mas quase ninguém fala de educação.
E elegância nunca foi sobre dinheiro. Nunca foi sobre marca, etiqueta ou preço. Elegância é outra coisa.
É postura. É medida. É respeito pelo momento.
É algo quase invisível — mas absolutamente perceptível. E talvez por isso esteja desaparecendo.
Veja uma festa elegante.
Tudo começa bem. Anfitriões cuidadosos, convites enviados, ambiente impecável, pessoas bem vestidas. Um certo brilho no ar.
Mas, com o passar das horas, algo curioso acontece.
A elegância começa a se desfazer.
O paletó vai embora.A gravata afrouxa e vai pra testa. O colarinho abre. As mangas sobem.
E, de repente… o que era requinte vira desleixo.
Mas o auge vem depois.
Aquela mulher linda, que chegou impecável, surge agora, no meio da festa, atravessando o salão de “havaianas”…
Sim. Havaianas!
Nada contra as Havaianas, que é quase um símbolo nacional. O problema não é o chinelo. É o contexto.
É como se, aos poucos, estivéssemos desaprendendo a sustentar a beleza de um momento.
E tudo isso, claro, em nome de um modismo que se esconde no nome “conforto”.
Mas existe uma verdade incômoda:
Quem não sustenta algumas horas de elegância, provavelmente também não sustenta alguns minutos de disciplina.
Não se trata de rigidez. Nem de elitismo. Trata-se de reconhecer que certos momentos da vida pedem mais.
Pedem intenção. Pedem cuidado. Pedem grandeza.
Se alguém prefere bermuda, camiseta regata e chinelo — perfeito. A liberdade existe para isso.
Mas talvez existam lugares onde vale a pena ser um pouco maior do que o próprio conforto.
Porque festas elegantes nunca foram só sobre aparência. Elas foram criadas para celebrar algo raro hoje em dia: a arte de estar à altura da ocasião.
Mas o nosso tempo parece ter feito outra escolha.
O nosso tempo prefere o fácil. O imediato. O confortável. E, acima de tudo… a gloriosa — e cada vez mais aceita — cafonice.

