30 de maio de 2026
Carlos Leão

Olha, vou falar uma coisa aqui que pouca gente teria coragem de dizer

A elegância morreu. E o mais curioso… é que quase ninguém percebeu.

Hoje se fala muito em liberdade, autenticidade, conforto…

Mas quase ninguém fala de educação.

E elegância nunca foi sobre dinheiro. Nunca foi sobre marca, etiqueta ou preço. Elegância é outra coisa.

É postura. É medida. É respeito pelo momento.

É algo quase invisível — mas absolutamente perceptível. E talvez por isso esteja desaparecendo.

Veja uma festa elegante.

Tudo começa bem. Anfitriões cuidadosos, convites enviados, ambiente impecável, pessoas bem vestidas. Um certo brilho no ar.
Mas, com o passar das horas, algo curioso acontece.

A elegância começa a se desfazer.

O paletó vai embora.A gravata afrouxa e vai pra testa. O colarinho abre. As mangas sobem.

E, de repente… o que era requinte vira desleixo.

Mas o auge vem depois.

Aquela mulher linda, que chegou impecável, surge agora, no meio da festa, atravessando o salão de “havaianas”…

Sim. Havaianas!

Nada contra as Havaianas, que é quase um símbolo nacional. O problema não é o chinelo. É o contexto.

É como se, aos poucos, estivéssemos desaprendendo a sustentar a beleza de um momento.

E tudo isso, claro, em nome de um modismo que se esconde no nome “conforto”.

Mas existe uma verdade incômoda:

Quem não sustenta algumas horas de elegância, provavelmente também não sustenta alguns minutos de disciplina.

Não se trata de rigidez. Nem de elitismo. Trata-se de reconhecer que certos momentos da vida pedem mais.

Pedem intenção. Pedem cuidado. Pedem grandeza.

Se alguém prefere bermuda, camiseta regata e chinelo — perfeito. A liberdade existe para isso.

Mas talvez existam lugares onde vale a pena ser um pouco maior do que o próprio conforto.

Porque festas elegantes nunca foram só sobre aparência. Elas foram criadas para celebrar algo raro hoje em dia: a arte de estar à altura da ocasião.

Mas o nosso tempo parece ter feito outra escolha.

O nosso tempo prefere o fácil. O imediato. O confortável. E, acima de tudo… a gloriosa — e cada vez mais aceita — cafonice.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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