
O regime soviético começou com a Revolução Russa de 1917, que derrubou o governo czarista, e foi formalmente proclamada em dezembro de 1922. Durou quase 70 anos. O colapso ocorreu em 1991.
O regime comunista chinês completou 76 anos em 2025.
Começou em 1949, mantendo-se até hoje como o maior Estado comunista do mundo.
O regime cubano teve início em 1959. Cuba está sob um sistema comunista há 64 anos.
Essas são as versões mais longevas de socialismo aplicado.
As três versões são baseadas na abordagem teórica do materialismo histórico-dialético, metodologia desenvolvida por Marx e Engels para analisar e propor mudanças na sociedade e na história, baseada na compreensão da realidade material e nas relações sociais de produção.
Das três citadas, apenas a China se consolidou como Estado rico e poderoso.
O que não significa dizer que o ‘popular’ da República chinesa tenha os mesmos direitos, garantias e acesso aos bens de consumo da classe dirigente. A pobreza ainda é um grande desafio.
Cerca de 13% da população ainda vive abaixo dessa linha.
Marx e Engels iriam à loucura ao saberem que, no tocante à divisão de classes, os indicadores apontam percentuais estonteantes que colidem 13% de chineses abaixo da linha de pobreza, com uma China que ocupa o 2o lugar em número de bilionários no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
A classe média, habitantes da camada social que a Marilena Chauí considera “terroristas” e que os governos do PT se esmeram em extirpar, é o recheio suculento do sanduíche social chines.
É um grupo demográfico numeroso e em crescimento.
Integra o setor produtivo, fornecendo mão de obra para a indústria, comércio e serviços, todavia, não tem qualquer ingerência na vida política do país.
Numa comparação literal, a classe média chinesa, segundo o manual marxista, seria um segmento social recondicionado da ‘classe operária’ explorada pela burguesia do Ocidente, sob a égide do capitalismo.
A revolução chinesa inverteu o modelo.
Na China, a exploração da mão de obra é feita pelo capitalismo de Estado. A classe média chinesa tem impacto significativo na economia do país e no consumo global, embora enfrente desafios como a desigualdade e a necessidade de manter o crescimento econômico para sustentar o estilo de vida.
Para desespero da Marilena Chauí, uma matéria de 2020 da revista Exame, toca na estratégia chinesa para aquecimento da classe média e aproveita para dar um direto no queixo dos petistas: “Para não repetir erro do Brasil, a China quer turbinar a classe média”.
Isso vem de encontro às recorrentes críticas de que os programas de assistência social-plataforma eleitoral dos partidos de esquerda do Brasil – são úteis e necessários por um período, mas sua eternização entorpece a força de trabalho, desestimula o crescimento econômico do país e resulta em mais e maior pobreza.
No regime cubano, uma senhora de 64 anos, fã dos milhões de caracteres que enchem as teorias políticas da ditadura, tem fome de comida real em sua mesa, mas se orgulha da única materialidade consolidada nas odes aos ditadores, impressas nos livros que as guardam.
Mal sabe ela que para além da ilha, apenas um poema ou pequeno trecho de um romance de Reinaldo Arenas – poeta e romancista que participou da revolução, tornou-se crítico do regime castrista e se exilou nos EUA, tem mais significado na alma de um cubano que anseia por liberdade, do que toda a literatura pró regime.
Assim como todos os discursos dos líderes da revolução russa que findou na ascensão do Czar Putin, juntos e misturados, falam menos sobre a alma russa do que um poema de Maiakovski.

