30 de junho de 2026
Adriano de Aquino

Alexei Bueno se foi

Recebi com tristeza a notícia da morte do poeta Alexei Bueno.

Quando Secretario de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, o nomeei Diretor do Patrimônio Cultural.

Poucas pessoas tem o conhecimento e reflexões ímpares sobre a história do estado e, em particular, da cidade do Rio de Janeiro.

Além de grande poeta, Alexei foi um polemista ímpar, possuidor de excelente critério sobre a poesia brasileira, mitos e autenticidade sobre o processo criativo.

É uma perda significativa.

Minha opinião sobre Alexei é fundada na admiração e no afeto. Portanto, não relevante sobre sua trajetória como artista e intelectual.

Em vista disso, consultei os alfarrábios IA para dar a dimensão mais precisa sobre sua importância no cenário da cultura brasileira contemporânea👇

“Alexei Bueno (nascido no Rio de Janeiro, em 1963) é uma das vozes mais singulares, eruditas e produtivas da literatura brasileira contemporânea. Atuando como poeta, crítico literário, ensaísta, tradutor e editor, sua obra destaca-se pelo profundo diálogo com a tradição ocidental e pelo rigor formal extremo.
Sua atuação dividida é em três pilares principais: Produção Poética – A poesia de Alexei Bueno caminha na contramão de grande parte das tendências lúdicas ou minimalistas da poesia contemporânea, sendo frequentemente descrita como uma “ilha aristocrática” e filosófica.
Sua escrita é marcada pelo domínio absoluto das formas clássicas (como o soneto), rica exploração de metros e rimas, e constante diálogo intertextual com autores que vão de Horácio a Fernando Pessoa (especialmente o heterônimo Ricardo Reis).
Seus poemas abordam o tempo, a memória, a finitude, a identidade, o sagrado e a busca metafísica pelo sentido.
Estreou com Asas de Corvo (1984) e consolidou-se com livros marcantes como Poemas Gregos (1985), A Deusa Moura (1984), Os Resistentes (2001) — que dialoga fortemente com Charles Baudelaire —, e O Susto (2002).
Sua produção poética inicial foi reunida no volume Poesia Reunida (1998), que recebeu o Prêmio Jabuti.
Na crítica literária, Alexei foi um intelectual e historiador da literatura, desempenhando um papel analítico incisivo e, por vezes, combativo no cenário cultural.
No campo da história, sua obra máxima é Uma História da Poesia Brasileira (2007), um denso panorama que mapeia as manifestações poéticas do país desde o período colonial (iniciando com o Padre José de Anchieta) até a contemporaneidade.
O Polemista: Ele ficou amplamente conhecido por sua “Carta aberta aos poetas brasileiros” e por travar debates intelectuais públicos (como o embate com o músico Caetano Veloso), criticando o que considera o empobrecimento estético ou o oportunismo na produção cultural recente.
Nos nsaios expandidos, sua visão crítica vai além do texto poético, incluindo ensaios profundos sobre artes plásticas, cinema e a preservação do patrimônio cultural material e imaterial do
No campo editorial, a erudição de Alexei Bueno reflete-se na sua monumental dedicação como leitor voraz e organizador de obras fundamentais para a memória literária em língua portuguesa.
Foi responsável por edições definitivas e de referência, destacando-se a organização da Obra Completa de Augusto dos Anjos (1994) para a editora Nova Aguilar, um trabalho minucioso de cerca de 900 páginas. Também organizou as obras de grandes nomes como Olavo Bilac, Machado de Assis e Almada Negreiros.
Em anos recentes, lançou trabalhos de forte impacto histórico e literário, como a antologia A Escravidão na Poesia Brasileira do Século XVI ao XXI (2022). Também traduziu peças complexas e de alto nível de exigência estética do inglês, francês e espanhol, com destaque para a tradução de As Quimeras, do poeta romântico francês Gérard de Nerval.A produção de Alexei Bueno personifica o conceito de “poesia pura” e alta cultura, preservando os alicerces da tradição literária e demonstrando como o passado e o presente podem coexistir de forma orgânica na criação artística contemporânea”.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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