
A noticia: “Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao cargo nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026. Ele oficializou a decisão em um pronunciamento oficial em frente ao número 10 de Downing Street após apresentar o pedido ao rei Charles”.
Starmer, a esperança de retorno glorioso do Partido Trabalhista ao poder, após o longo jejum de 14 anos, marcado pelos mandatos de Tony Blair e Gordon Brown (1997 a 2010), assumiu em 5 de julho de 2024, ao obter uma vitória expressiva nas eleições gerais sob a liderança dele como primeiro-ministro.
Em aproximadamente 1 ano e 11 meses, os ingleses viram a esperança das reformas trabalhistas diluírem no ar.
A expressiva vitória do Partido Trabalhista, encerrou um ciclo de 14 anos de governos do Partido Conservador (2010–2024).
Tudo apontava para o sucesso. Mas os trabalhistas conquistaram 411 das 650 cadeiras do Parlamento britânico, garantindo ampla margem para governar de forma independente.
Porém, uma cascata de problemas e a imperícia do Primeiro Ministro em tomar medidas drásticas para correção do rumo da politica britânica, o levou a perder a confiança dos seus aliados.
Mas, o que desejavam os 411 (maioria) parlamentares trabalhistas que Keir Starmer não atendeu?
Alguns críticos da sua gestão, trabalhistas e conservadores, sentindo a pressão da sociedade, demandavam ao ministro urgência para reverter a tendencia de apostar contra o Reino Unido, ‘pule de 10’ da torcida da UE (rescaldo do Brexit).
Dentre os entraves que atravancam a dinâmica do país, as escolhas políticas autos sabotadoras têm lugar de destaque.
Dados econômicos recentes sugerem que a estagnação econômica do Reino Unido, que levou o seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita a se aproximar e ser superado pelo do Estado do Mississippi (estado tradicionalmente mais pobre dos EUA), é resultado de quase duas décadas de baixa produtividade, cortes de investimentos públicos, escancaramento das fronteiras, facilitação das exigências migratórias e uma política climática bonita no selfie da Greta, mas desastrosa na realidade.
Paradoxalmente, a indecisão de reverter essas politicas sufocou a economia da Grã Bretanha.
A acelerada contenção da produção dos poços de petróleo no Mar do Norte, somada à pressa na transição para Política Climática e suas hipotéticas fontes de energia renováveis, desprovidas de infraestrutura de apoio robusto, pressionaram o preço da eletricidade para as empresas britânicas.
Entre 2004 e 2024 a Grã Bretanha bateu recorde e se tornou o país com energia mais cara do mundo.
Nesse tocante, o que fizeram os trabalhistas? O que fez Starmer?
O fato é que a politica climática levou a indústria local a perder competitividade e entrar em colapso (um exemplo é o setor de cerâmica em Stoke-on-Trent, que viu seus empregos evaporarem na atmosfera sob os céus de uma política climática saudável.
Outro ponto de desgaste é a apatia do governo no tocante à migração massiva e acelerada, a naturalização de estrangeiros como potencial para o crescimento econômico, vantagens em demandas de empregos e recursos para previdência social, quando a realidade impõe às industrias contenção de investimentos e dispensa do corpo de funcionários.
Embora o Reino Unido se orgulhe dos índices de expectativa de vida e IDH, o poder de compra e a produção econômica britânica despencaram.
Sem o desempenho financeiro de Londres, o restante do território britânico já vive com padrões materiais incompatíveis com sua importância social/cultural.
Desde a crise financeira global de 2008, a economia britânica parou de crescer.
A produtividade por trabalhador estagnou, o que fez com que os salários reais (ajustados pela inflação) praticamente não saíssem do lugar por quase 20 anos.
A torcida da UE: a saída da União Europeia em 2020 funcionou como um freio de mão na economia.
O Brexit impôs barreiras comerciais, reduziu o investimento empresarial de curto e longo prazo (estimado em uma queda de 12% a 18%) e gerou uma perda permanente de 6% a 8% no PIB por habitante.
Após 2008, o governo adotou uma política severa de corte de gastos públicos e redução do papel do Estado para tentar equilibrar as contas. Os repasses federais para as prefeituras encolheram cerca de 40%, sufocando investimentos locais, deteriorando serviços públicos (como o sistema de saúde NHS) e levando grandes cidades, como Birmingham, à insolvência.
Os ingleses que votaram em Keir Starmer e deram maioria aos trabalhistas contavam com a eficiência dos seus eleitos para derrubar as barreiras que bloqueavam a chegada de uma brisa renovadora.
A espera se tornou angustiante.
No período de 1 ano e 11 meses o governo trabalhista foi incapaz de impor reformas expressivas e entregar grandes obras devido ao excesso de regulamentações, burocracia excessiva, relatórios ambientais inflados e litígios judiciais.
Projetos cruciais como o trem de alta velocidade HS2 e novas usinas nucleares tiveram custos triplicados, prazos estourados ou acabaram cancelados, desperdiçando bilhões de libras em planejamento sem retorno prático.
Rever e dinamizar o sistema tributário do sonho socialista do imposto de renda simplificado (taxa única) com planos de zerá-lo completamente, na realidade se tornou uma ‘vazante’ de recursos que, somado a rígida regulamentação trabalhista, intimidou investidores e engessou o mercado de trabalho.
Nesse entreato dramático para o Reino Unido, minha atenção se volta para o poder de renovação da sociedade inglesa.
O Reino Unido já enfrentou crises terríveis e superou-as com ousadia e determinação.
Torço para que a crise do momento seja um estimulo para implantar reformas necessárias e urgentes para volta da estabilidade econômica e social da Inglaterra.

