12 de setembro de 2026
Ligia Cruz

Hoje na feira

Hoje, na feira, numa banca os barraqueiros estavam se esgoelando: “sem anistia!”.

Nada a ver. São burros ou o quê? Vendedores não devem ter lado, nem ideologia.

Pensei, será que eu respondo, dou uma mini aula da história recente, digo quem na verdade é o presidente deles e detalho sua obra pregressa? Digo como ele é bundão e mentiroso, ao deixar outro governar por ele, enquanto ele só gasta. Respirei fundo, olhei para os dois e fiz o que todo mundo estava fazendo: passei reto.

A gritaria ficou ecoando até eu me distrair com outras bancas, com atendentes educados e silenciosos.

Não dá para ensinar quem não quer aprender, quem segue um líder decadente e se acha a última bolacha do pacote; quem gasta em um segundo o que ele leva meses para ganhar, levantando às quatro da manhã todos os dias.

Nunca comprei nada na barraca deles porque não sabem fidelizar clientes, são grosseiros e berram nos seus ouvidos quando passam. E agora, definitivamente, vou ignorá-los porque vivemos um tempo de posicionamento.

Esse é o brasileiro médio, sem sal, nem açúcar, que se espelha em figuras execráveis da república e se acham os malandrões da quebrada.

Tomara que a feira do dia tenha sido proveitosa, porque desejar o mal a quem não tem caráter é deixar de dar um voto de misericórdia a pobres de espírito.

Não devemos desperdiçar nenhum verbo com quem não ouve, só repete como os papagaios. É só fazer ouvidos moucos e passar reto.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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