
A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e seus próprios ministros ganhou um novo capítulo — e, desta vez, a pergunta que fica no ar é direta: tribunais e Poder judiciário
Quem determinou o que, e quem deve responder pelos atos praticados?
Em manifestação encaminhada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que os relatórios de inteligência envolvendo o ministro André Mendonça não foram produzidos por iniciativa espontânea da corporação.
Segundo a manifestação, os documentos foram elaborados e encaminhados ao Supremo em cumprimento a determinações judiciais do ministro Alexandre de Moraes, então relator do inquérito das chamadas fake news.
A PF também nega ter realizado monitoramento ilícito ou investigação própria contra Mendonça. A justificativa apresentada é de que o material fazia parte de análises regulares de cenários produzidas pela área de inteligência.
Se essa versão for confirmada, surge uma questão inevitável: se a Polícia Federal apenas cumpriu uma determinação judicial, onde estaria a irregularidade cometida pelo diretor-geral da instituição?
O Supremo diante do próprio espelho
O episódio revela algo ainda mais preocupante: ministros da mais alta Corte do país passaram a protagonizar decisões aparentemente conflitantes envolvendo uma mesma estrutura institucional.
De um lado, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF. De outro, Flávio Dino posteriormente reverteu a medida. Na sequência, Edson Fachin suspendeu a decisão, levando a discussão para o âmbito do plenário.
Não estamos diante de uma simples divergência jurídica.
Estamos diante de uma disputa institucional que envolve o STF, a Polícia Federal e ministros da própria Corte.Tribunais e poder judiciário
E quando a Suprema Corte começa a produzir decisões cruzadas entre seus próprios integrantes, a sociedade tem o direito de perguntar se os mecanismos de controle e equilíbrio institucional estão funcionando adequadamente.
A pergunta que não pode ser ignorada
O ponto central agora não deveria ser simplesmente saber quem venceu ou perdeu mais uma batalha interna.
A questão fundamental é outra:
Se os relatórios foram produzidos por determinação judicial, quem solicitou as informações, com qual finalidade e dentro de quais limites legais?
E mais: houve extrapolação da ordem judicial ou a Polícia Federal apenas cumpriu aquilo que lhe foi determinado?
São perguntas que precisam de respostas objetivas, documentadas e transparentes.
Não se pode admitir que questões dessa magnitude sejam resolvidas apenas por decisões monocráticas, versões conflitantes ou disputas internas entre ministros.
A Suprema Corte precisa dar respostas ao país
A sessão extraordinária marcada para 15 de setembro de 2026 poderá ser decisiva para esclarecer os fatos.
O país espera que o plenário do STF não transforme o episódio em mais uma queda de braço entre ministros.Tribunais e poder judiciário
O que está em jogo é maior.
Está em jogo a credibilidade das instituições, a autonomia da Polícia Federal, a segurança jurídica e, sobretudo, a confiança do cidadão brasileiro na própria Suprema Corte.
O STF não pode ser visto como um território de disputas internas onde uma decisão de um ministro é anulada por outro e, posteriormente, submetida à avaliação de um terceiro.
A Constituição estabelece competências, limites e responsabilidades.
E esses limites precisam valer para todos — inclusive para quem tem o poder de interpretá-los.
O Brasil precisa de uma Suprema Corte forte. Mas uma Corte forte não é aquela que concentra mais poder.
É aquela que demonstra, por seus próprios atos, que também se submete aos limites da lei e da Constituição.

