7 de julho de 2022
Sylvia Belinky

Um casamento Real

Votos do casal – Foto: Revista Donna

Nosso país parece que vai fechar para balanço. Andando na rua, tudo está para vender, alugar, fechando ou por fechar a qualquer momento.
Propriedades rabiscadas e emporcalhadas por quem não tem eira nem beira; nada para dizer ou comunicar, a não ser sua nulidade e evidente ignorância.
Pessoas cruzam com outras com olhar triste e inquisitivo: “Você também vai me agredir, roubar, xingar ou pedir o que não tenho pra dar?” E sorriem aliviadas ao receberem apenas um bom dia e um sorriso, que algumas retribuem e outras passam reto como se não tivessem nem visto nem ouvido: “Bom dia o que, sô? Não te conheço!”
Nada que encante acontece por aqui e, então, esse nosso mundo inóspito nos dá a oportunidade de assistir a um casamento de contos de fada moderno: a noiva, afrodescendente, casando com um príncipe “de carteirinha”. A emoção nos olhos de sua mãe, permanentemente marejados, demonstra que uma filha de ex-escravos está tendo seu dia de glória e respeito, no “gargarejo”, durante toda a cerimônia!
Pela leitura labial, o príncipe diz à plebeia, hoje coroada princesa: “Você é fantástica, que sorte que eu tenho!”. Aos olhos de hoje, papéis invertidos!
Os súditos, alegres e festejando, deixam de estar órfãos de outra princesa, mãe do noivo, morta precoce e tragicamente; a nova princesa, moça de opinião e independente, imprimiu sua marca e personalidade em cada detalhe desse casamento, do vestido despojado de uma Maison francesa, hoje gerenciada por uma inglesa, desprezando solenemente o Brexit.
E, na hora H, não jurou obediência, mas sim estar ao lado do futuro marido, compartilhando tudo de seu e dele: em especial eu diria, belos filhos, como os do irmão, também príncipe, que casou antes.
Serão felizes, têm muita torcida!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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