4 de junho de 2026
Cinema

Dept. Q

De: Scott Frank e Chandni Lakhani, criadores, roteiristas, Reino Unido, 2025

(Disponível na Netflix em 7/2025.)

Dept. Q, série policial escocesa de 2025 criada por Scott Frank e Chandni Lakhani com base em livro do escritor dinamarquês Jussi Adler-Olsen, é uma produção caprichadíssima, feita com extrema competência e talento. É longa – são nove episódios, sete deles de cerca de 50 minutos e dois com pouco mais de 60 minutos. Mas não teria outro jeito: são personagens demais, fatos demais, subtramas demais. Um mundo inteiro de histórias.

São dois protagonistas, dois personagens centrais – um homem e uma mulher, que não se conheciam, que trafegavam em círculos diferentes em Edimburgo. Ele é o detetive inspetor-chefe Carl Morck da polícia da capital e segunda maior cidade escocesa – o papel de Matthew Goode. Ela, Merritt Lingard, é uma promotora de Justiça dura, implacável – o papel de Chloe Pirrie (na foto abaixo).

A série abre com uma sequência impressionante, impactante, extremamente bem encenada, bem executada. Três policiais examinam a cena de um crime – os respeitados detetives Carl Morck, seu parceiro e grande amigo James Hardy (Jamie Sives), os dois à paisana, e um recruta, um novato, Anderson (Angus Yellowlees), uniformizado e com a câmara corporal ligada. Um homem havia sido assassinado a facadas ali na sala daquela casa.

De repente, surge um homem encapuzado, que dispara contra os três policiais. O jovem Anderson morre naquele momento; uma bala acerta a espinha de Hardy, que ficará paraplégico; uma bala acerta a nuca de Carl. Ele ficará em tratamento durante alguns meses, antes de poder voltar ao trabalho – completamente arrasado psicologicamente, culpando-se por tudo, pela morte do novato e principalmente pela paralisia do parceiro e amigo.

Paralelamente, vemos a promotora Merritt Lingard atuando no tribunal de júri, pedindo a condenação do réu, Graham Finch, acusado de matar sua mulher.

A promotora Merritt perde o caso: o júri entende que não houve provas suficientes contra o réu.

Veremos que o chefe de Merritt, o procurador-chefe, que havia sido seu supervisor, Stephen Burns (Mark Bonnar), impedira que fosse ouvida uma testemunha de acusação que a promotora considerava essencial, Kirsty Atkins (Ellen Bannerman). O procurador-chefe Burns argumentava que, como Kirsty estava presa, os jurados não acreditariam no depoimento dela. Antes que Kirsty fosse dispensada, sofreu um ataque dentro da prisão, e escapou da morte por pouco.

Duas histórias contadas simultaneamente, como ações paralelas

Durante todo o primeiro episódio, vamos acompanhando o policial e a promotora em seus trabalhos, em suas vidas particulares, simultaneamente, em sequências apresentadas como ações paralelas. E esse esquema de dois protagonistas, dois mundos diferentes, vai se prolongar ao longo da série.

São, de fato, dois arcos narrativos que nos vão sendo apresentados. É uma bela, perfeita expressão, essa – que ouvi pela primeira vez em uma bela série francesa, Chamas do Destino/Le Bazar de la Charité (2019). Arcos narrativos – conjuntos de fatos, histórias, casos, cada um com suas subtramas e seus diversos personagens.

E há, exatamente aí – na apresentação simultânea dos dois arcos narrativos, como ações paralelas –, um grande pulo do gato, uma sacada, uma artimanha, uma malandragem, quase uma armadilha dos criadores e roteiristas Scott Frank e Chandni Lakhani.

As duas histórias que vamos vendo simultaneamente não aconteceram ao mesmo tempo. Aqueles fatos com a promotora Merritt e em torno dela, o julgamento do tal Graham Finch que ela perdeu, tudo aquilo havia acontecido quatro anos antes do ataque de um atirador contra os três policiais que examinavam uma cena de crime.

É só no final do primeiro dos nove episódios – o mais longo da série, de 65 minutos – que o espectador fica sabendo disso.

Uma beleza de sacada. Beleza de uso de ações paralelas que na verdade não são paralelas coisa alguma.

É bom registrar: Scott Frank, norte-americano da Flórida, da classe de 1940, foi o criador de O Gambito da Rainha/The Queen’s Gambit (2020). Lá atrás, em 2002, foi um dos roteiritas de Minority Report: A Nova Lei, a ficção científica de Steven Spielberg.

Grandes atuações, fantásticas sequências, bons personagens

Há muita coisa boa nesta série de nome esquisito, Dept. Q. (A explicação para o título virá daqui a pouco.) As atuações, para começo de conversa. As atuações todas, dos atores que interpretam papéis pequenos aos que fazem os personagens centrais, são ótimas, admiráveis, com aquela perfeição britânica – afinal de contas, a melhor escola de artes dramáticas que há no mundo. E achei fantástico: de todo o grande, imenso elenco – são umas duas dúzias de personagens com alguma importância –, este assistidor fanático de filmes aqui, apaixonado pelo cinema das Ilhas Britânicas, só conhecia Matthew Goode e Kelly Macdonald, que faz a psicóloga Rachel Irving, que o deprimido, abalado, transtornado Carl Morck é obrigado pela chefia a consultar. (Nas fotos acima e ab abaixo+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++, Matthew Goode como Morck.)

O problema é só meu, que pelo jeito conheço pouco dos atores em atuação hoje, em especial os escoceses. O fato é que aquele monte de gente que eu não conhecia é muito bom de serviço.

Duas características muito boas da série:

A beleza das sequências que reúnem várias ações paralelas ao mesmo tempo, juntando fatos dos dois arcos narrativos diferentes, que os criadores e roteiristas apresentam em cada um dos episódios. Aquela coisa que Francis Ford Coppola fez estupidamente bem na trilogia The Godfather Por exemplo: ao mesmo tempo em que um Corleonezinho está sendo batizado, soldados da família mafiosa estão matando gente aqui, ali e acolá.

A sólida construção de diversos dos muitos personagens. Personagens que têm vida, que são tridimensionais, como gostam de dizer os críticos de língua inglesa, em oposição aos personagens monocrômicos, que muitas vezes não passam de rascunhos mal ajambrados, esquemáticos.

Não tenho a menor idéia, é claro, de como são os livros do dinamarquês Jussi Adler-Olsen, mas é fascinante como, na série escrita por Scott Frank e Chandni Lakhani, os dois protagonistas centrais, esses dois que não se conhecem, nunca haviam se visto, o policial Carl Morck e a promotora Merritt Lingard, têm muitas coisas em comum.

Um policial e uma promotora de vidas muito duras

Tanto Carl quanto Merritt – o espectador vai vendo isso claramente, desde o início do primeiro episódio – são competentes no que fazem. Levam a sério a profissão, são extremamente dedicados. São focados no trabalho, workaholics. E têm muita segurança em si mesmos; sabem perfeitamente que são muito bons, que são especiais, que são os melhores que pode haver. A ponto de não serem muito queridos por seus pares.

E têm, os dois, vidas pessoas complicadas, com problemas graves, sérios, pesados.

Carl vive – e vive às turras – com um adolescente de 17 anos, Jasper (Aaron McVeigh), garoto problemático, aborrescente, indisciplinado, difícil de se contactar. Jasper, o espectador verá lá pelo quarto ou quinto episódio, é enteado de Carl. A mãe, Vic, havia se separado do policial e deixado o garoto com ele, já que viajava muito e achava que o filho precisava da presença de uma figura paterna.

O cara se achava superior a todo mundo, era malquisto entre os pares por essa metideza toda e tinha já problema duro em casa – antes de ser baleado na nuca e ficar se culpando pelo tiro que deixou o parceiro paraplégico e pelo outro que matou um iniciante.

A vida pessoal de Merritt conseguia ser ainda pior. Muito, muito pior.

Era uma mulher solitária. Ali pela meia-idade, nunca havia se casado – aparentemente, nunca havia tido uma relação afetiva estável. Vivia com o único irmão, mais jovem que ela, William (Tom Bulpett, em uma interpretação especialmente boa), que, devido a algo ocorrido vários anos antes, era incapaz de falar e de escrever. Ao menos Merritt havia tido a sorte de encontrar uma pessoa que gostava muito de William e cuidava dele como se fosse seu próprio filho, Claire Marsh (Shirley Henderson).

À medida em que vai avançando nos episódios, o espectador fica sabendo que o que levou William a perder parte das faculdades mentais foi uma surra violentíssima que levou, causando danos ao crânio, durante um assalto à casa de sua família, na ilha de Mhòr. (Não adianta procurar no Google Maps: a ilha de Mhòr da série é fictícia.)

O assalto e a violentíssima agressão a William haviam sido atribuídos a Harry Jennings (Fraser Saunders), que era o namorado da então adolescente Merritt. Harry morreria algum tempo depois.

Todo o passado de Merritt e seu irmão William na ilha de Mhòr em que nasceram – que vai sendo mostrado aos poucos, a partir ali do episódio 4 – é povoado por eventos traumáticos.

Uma mulher solitária, cheia de problemas familiares graves, com um passado traumático – que, por ser promotora, por ter mandado um monte de gente para a prisão, tem, é claro, muitos inimigos. E é constantemente ameaçada, em ligações e mensagens para seu celular.

O espectador fica sabendo das ameaças desde o início do primeiro episódio. No fim dele, mostra-se que, quatro anos antes do “hoje” da trama, a época do ataque aos três policiais, 2024, Merritt havia sido sequestrada e colocada como prisioneira em uma câmara hiperbárica, uma câmara semelhante a um submarino, hermeticamente fechada, usada para prospecção e exploração de petróleo em alto mar.

Seus sequestradores a vigiavam através de diversas câmaras colocadas no lugar. Falavam com ela através de alto-falantes, davam a ela refeições colocadas em portinholas. E a torturavam com ruídos e com alterações da pressão do ar, para que ela falasse sobre os “crimes” que havia cometido. Merritt ficava tentando adivinhar qual ou quais das pessoas que havia condenado à prisão estavam motivando aquela vingança absolutamente desumana.

O espectador vai vendo tudo – vê que Merrit desapareceu durante uma viagem de ferryboat de Edinburgo à ilha de Mhòr, vê como ela está sobrevivendo naquela prisão absolutamente infernal.

É outra bela sacada narrativa. O espectador vê o que ninguém mais viu. O que a polícia jamais poderia sequer imaginar.

O ponto que une as duas diferentes histórias

Eis o que acontece para ligar os dois protagonistas da história, os dois diferentes arcos narrativos:

Uns dois ou três meses depois daquele ataque de um atirador contra os três policiais, Carl Morck se apresenta novamente ao trabalho. Uma equipe está encarregada de investigar o ataque. Chato desde sempre, metido, malquisto, e agora absolutamente abalado psicologicamente, ele quer se meter na investigação. É um elemento altamente perturbador na delegacia central de Edimburgo. Um elefante em loja de cristais.

As coincidências. A chefe de polícia Moira Jacobson (Kate Dickie, na foto acima) havia acabado de receber ordem de seus superiores, os políticos, de criar um departamento para resolver casos que não haviam sido solucionados, casos antigos. “Cold cases”. (Fiquei sabendo dessa expressão agora, mais de 60 anos depois de ter começado a estudar inglês. “Cold case”, explica a IA do Google, “é um crime, ou suposto crime, que ainda não foi completamente resolvido e não é objeto de uma investigação criminal atual”.)

A chefe Moira queria mais verba, para contratar mais gente, para resolver os crimes de ontem, de hoje. Mas seus chefes, os políticos, dizem que, se ela criar um novo departamento, um departamento de crimes antigos, cold cases, ela terá boas verbas. A chefe Moira vê que pode aí matar dois coelhos com uma cajadada só. Cria o departamento de casos antigos, nomeia Carl como chefe, destina a ele uma área no subsolo do prédio, onde antigamente funcionava um grande banheiro coletivo, identificado com a letra Q – e pronto. Recebe a nova verba, e se livra do pentelho do cara. Que vai lá para o subsolo, o salão Q, para onde são enviadas caixas e mais caixas e mais caixas e mais caixas de arquivos de casos não solucionados.

Um dos casos não solucionados é o da promotora Merritt Lingard, que, quatro anos antes, havia desaparecido misteriosamente durante uma viagem do ferryboat entre Edimburgo e a ilha de Mhòr.

E aqui é preciso falar de Akram Salim – o papel de Alexej Manvelov, na foto abaixo).

O sírio Akram Salim é uma das melhores coisas desta bela série escocesa baseada em uma série de livros dinamarqueses.

Um refugiado sírio, desprezado, é investigador brilhante

Akram Salim aparece já no início do primeiro episódio. É um refugiado político, que havia sido admitido no serviço público – um funcionário público civil. Fazia já algum tempo que ele ia à delegacia central de polícia e pedia para falar com a chefe Moira, oferecer -se para trabalhar ali – e a jovem policial Rose Dickson (o papel de Leah Byrne, ótima, na foto abaixo), que havia sido afastada das tarefas externas normais, e trabalhava meio como secretaria da chefe Moira, conseguia mantê-lo sentado em uma sala, à espera da oportunidade de falar com a superior, oportunidade esta que, diacho, nunca vinha.

Quando Moira nomeia Carl Morck chefe do novo departamento para investigar cold cases, Akram surge diante dele naquele subsolo pavoroso, e se oferece para integrar sua equipe – equipe que então era formada apenas por Carl, Morck e ele mesmo, Carl Morck.

O chefe do departamento sem funcionário algum era o máximo da pretensão, da metideza. Imagine-se então diante de um refugiado sírio, funcionário civil, que se oferece… Carl desdenha de Akram como um Donald Trump desdenharia de um jovem negro recém-chegado de Uganda, ou um latino de Honduras.

Akram Salim vai se revelar um investigador absolutamente brilhante – e esse é um dos pontos encantadores desta série que, diacho, é longa demais, violenta demais, mas é feita com talento que sai pelo ladrão.

O imigrante sírio que a chefe de polícia Moira se recusava a atender, que o detetive-inspetor-chefe Carl Morck admite em seu novo departamento que não tinha um funcionário sequer e logo manda que ele faça limpeza daquele lugar no subsolo do prédio, vai se mostrar um investigador brilhante. E, nas horas necessárias, em que é preciso extrair confissão de um suspeito, um policial habilidosíssimo – embora usando métodos que os regulamentos dos países verdadeiramente democráticos proíbem.

Carl Morck não dá a mínima bola para aquelas caixas e caixas de arquivos sobre crimes não resolvidos.

Akram Salim lê dezenas, dezenas, dezenas deles. E aponta para o chefe como muito importante o caso da promotora Merritt Lingard, desaparecida quatro anos antes, quando viajava no ferryboat para a ilha de Mòhr com o irmão William.

Um Exército Brancaleone trabalhando no subsolo

Aos dois, o chefe do Departamento Q e seu único auxiliar, vai se somar a moça Rose Dickson.

Com o tempo, à medida em que começa a melhorar um tanto, depois de um período depressivo em que desejava se matar, o experiente, competente detetive-inspetor James Hardy, o parceiro de Carl feito paraplégico pela bala na coluna vertebral, passa a ajudar o grupo, trabalhando no hospital com um laptop, fazendo pesquisas sobre todas as circunstâncias envolvendo a promotora Merritt Lingard na época de seu desaparecimento.

Dois sobreviventes de um ataque a tiros – um perturbado psicologicamente, o outro paraplégico. Um sujeito eficiente, inteligente, esperto – mas que sequer era policial, um imigrante sírio. E uma jovem policial também com sérios problemas psicológicos e comportamentais.

Um Exército Brancaleone – mas formado por policiais honestos, competentes. E que trabalham no subsolo, numa espécie de catacumba, sob o prédio da central de polícia de uma grande cidade.

Interessantíssimo: a gente já tinha visto uma série assim antes.

Em Cemitério/Mezarlik, extraordinária série turca de 2022, as autoridades da área de segurança resolveram, nesta terceira década do século XXI, criar em Istambul uma Unidade de Crimes Especiais, voltada especificamente para ataques às mulheres, de agressões até feminicídio. Uma policial extremamente séria, competente, trabalhadora, de quase 40 anos de idade, Önem Özülkü, é escolhida para ser a inspetora-chefe da Unidade. Mas o que a Polícia de Istambul criou para Önem chefiar é uma absoluta porcaria, uma nulidade comparada à qual o Exército Brancaleone do clássico de Mario Monicelli de 1966 parece o melhor e mais poderoso do mundo! Quando – aos 4 minutos do primeiro episódio – Önem chega ao prédio central da Polícia para assumir o cargo de inspetora-chefe da Unidade de Crimes Especiais, é levada para o porão por um policial idoso, às vésperas da aposentadoria. Ele explica para a inspetora-chefe – e para o espectador – que naquele lugar ali funcionava o arquivo, o arquivo morto. O lugar era chamado por todos de Cemitério.

O subsolo do prédio de polícia de Istambul, ocupado pelo arquivo morto, que todo mundo chamava de Cemitério. O subsolo do prédio de polícia de Edimburgo, antes usado como banheiro coletivo, que era conhecido como Q. Os nomes dos lugares são os títulos das séries, a turca de 2022 e a escocesa de 2025.

Não estou falando de plágio, não, pelamordeDeus. Só quis chamar a atenção do eventual leitor para a grande coincidência.

Como dizia e repetia Claude Lelouch, só existem duas ou três histórias na vida – o que há são pequenas variações.

Os próprios dinamarqueses filmaram três livros do autor

O dinamarquês Jussi Adler-Olsen escreveu dez romances policiais de uma série chamada Afdeling Q, Departamento Q. O primeiro deles, lançado na Dinamarca em 2007, tem o título original Kvinden i Buret, literalmente “A Mulher na Gaiola”, segundo o tradutor do Google. Em inglês, saiu com o título The Keeper of Lost Causes, e foi editado em Portugal com o título tirado do inglês, O Guardião das Causas Perdidas. No Brasil, a Editora Record usou o título original, e aqui o livro se chama A Mulher Enjaulada.

Esta série aqui é uma adaptação desse primeiro livro da coleção Departamento Q.

O livro já havia sido filmado na Dinamarca, em 2013, dirigido por Mikkel Nørgaard, com o título idêntico ao do livro, Kvinden i Buret. O filme foi lançado nos países de língua inglesa como Department Q: The Keeper of Lost Causes. Segundo o IMDb, no Brasil o filme saiu com o título traduzido do inglês, Departamento Q: Guardiões das Causas Perdidas.

Nikolaj Lie Kaas interpreta o policial Carl Mørck e Sonja Richter, a promotora Merete Lynggaard.

A mesma equipe fez mais três filmes baseados nos livros seguintes do escritor Jussi Adler-Olsen – Departamento Q: O Ausente, em inglês The Absent One (2014), Departamento Q: Uma Conspiração de Fé, em inglês A Conspiracy of Faith, e Departamento Q: Em Busca de Vingança, em inglês Journal 64 (2018).

Tudo indica que esta série aqui, com seus nove episódios, deverá ter novas temporadas, baseadas nos demais livros de Jussi Adler-Olsen. O final do nono episódio já abre as portas para uma segunda temporada, com o Exército Brancaleone do detetive-inspetor-chefe Carl Morck investigando mais um dos muitíssimo casos nunca resolvidos.

Só não haveria nova temporada se esta série fosse um fracasso – e não parece ser o caso, de forma alguma. No IMDb, Dept. Q. estava, em meados de junho de 2025 – um mês e meio depois de seu lançamento mundial, em 29 de maio – com a excelente cotação 8,2, média de 61 mil avaliações de leitores do site enciclopédico.

No site Rotten Tomatoes, a série estava com 87% de aprovação no Tomatometer, ou seja, na opinião dos críticos, e 89% no Popcornmeter, a opinião dos leitores.

Não vai dar outra. Em breve, deve vir aí a segunda temporada. Euzinho aqui não pretendo ver. A primeira é muito boa, muitíssimo bem escrita, bem elaborada – mas é violenta demais. Já deu.

Anotação em julho de 2025

Dept. Q

De Scott Frank e Chandni Lakhani, criadores, roteiristas, Reino Unido, 2025.

Direção Scott Frank (6 episódios), Elisa Amoruso (3 episódios)

Com Matthew Goode (detetive-inspetor chefe Carl Morck),

Chloe Pirrie (promotora Merritt Lingard)

e, no entorno de Carl Morck: Jamie Sives (detetive-inspetor James Hardy, o parceiro de Carl), Alexej Manvelov (Akram Salim), Leah Byrne (detetive Rose Dickson), Kelly Macdonald (Dr. Rachel Irving, a psicóloga), Kate Dickie (Moira Jacobson, a chefe de polícia), Aaron McVeigh (Jasper Stewart, o enteado de Morck), Sanjeev Kohli (Martin Fleming, o inquilino de Morck), Charlene Boyd (Victoria, a ex-mulher de Morck), Angus Yellowlees (Anderson, o jovem policial de ronda), Kal Sabir (detetive inspetor Logan Bruce), Aron Dochard (policial Clark), Catriona Stirling (policial Wilson), Gordon Brown (Fergus Dunbar, o detetive que havia investigado o desaparecimento de Merritt Lingard),

e, no entorno de Merritt Lingard: Bobby Rainsbury (Merritt adolescente), Patrick Kennedy (Liam Taylor, promotor, colega e amante ocasional de Merritt), Mark Bonnar (Stephen Burns, Lord Advocate, o procurador-geral, que havia sido o supervisor de Merritt), Douglas Russell (Graham Finch, o empresário riquíssimo acusado de matar a mulher), Ellen Bannerman (Kirsty Atkins, a possível testemunha no caso Finch), Tom Bulpett (William Lingard, o irmão de Merritt), Clive Russell (Jamie Lingard, o pai de Merritt e William), Shirley Henderson (Claire Marsh, a empregada e cuidadora de William), Michelle Duncan (dra. Fiona Wallace, a diretora da instituição em que William fica internado), Alison Peebles (Ailsa Jennings, mãe de Lyle e Harry Jennings), Steven Miller (Lyle Jennings adulto), Kai Alexander (Lyle Jennings adolescente), Fraser Saunders (Harry Jennings), Gilly Gilchrist (John Cunningham, comissário de polícia da ilha de Mhòr), Angus Miller (policial Colin Cunningham, filho do comissário), Jack Greenlees (Sam Haig, repórter – o verdadeiro)

Roteiro Scott Frank & Chandni Lakhani (criadores), Colette Kane, Stephen Greenhorn

Baseado na série de livros “Afdeling Q” (Departmento Q), de Jussi Adler-Olsen

Fotografia David Ungaro (6 episódios), David Higgs (3 episódios)

Músics Carlos Rafael Rivera

Montagem Michelle Tesoro

Desenho de produção Grant Montgomery

Casting Olivia Scott-Webb

Produção David Brown, Flitcraft, Left Bank Pictures.

Cerca de 480 min (8h)

Fonte: 50 anos de filmes

Sergio Vaz

Jornalista, ex-editor-executivo do Jornal O Estado de S. Paulo e apreciador de filmes e editor do site 50 anos de filmes.

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Jornalista, ex-editor-executivo do Jornal O Estado de S. Paulo e apreciador de filmes e editor do site 50 anos de filmes.

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