7 de maio de 2026
Rodrigo Constantino

Lições lusitanas

Antórnio Seguro, do Partido Socialista, derrotou André Ventura por 66,7% dos votos válidos contra 33,3%, em Portugal, neste domingo (8). (Foto: EFE/EPA/JOSE COELHO)

António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu com folga as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal. O político, que se apresenta como “democrata, progressista e humanista”, fez dois terços dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido Chega.

Ventura reconheceu a derrota, mas sem desanimar: “Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer História! Obrigado pela confiança”. A direita e a centro-direita fizeram cerca de metade dos votos no primeiro turno, mas mesmo assim o socialista venceu a disputa. Por quê?

Para vencer uma eleição majoritária é preciso atrair gente do centro, menos ‘radical’, e um tom excessivo na campanha, contra ‘tudo e todos’, pode assustar

Em boa parte porque a eleição foi transformada numa disputa entre “moderados” e “radicais”, em vez de esquerda e direita. Seguro é tido como um quadro mais moderado do Partido Socialista, tendo inclusive feito oposição responsável à direita quando o país teve de realizar reformas e apertar os cintos.

Já André Ventura se vende como antissistema, detonou todos os candidatos no primeiro turno, colocando-se como o único capaz de enfrentar o establishment. Essa é uma boa estratégia para chegar ao segundo turno, mas não para atrair o apoio dos demais candidatos de centro-direita e direita…

Os “liberais limpinhos” acharam mais seguro, com o perdão do trocadilho, apoiar o candidato socialista Seguro. Os globalistas estão aliviados, a esquerda global congratula o vencedor, e todos comemoram que a “ultradireita” saiu derrotada – desta vez. Não creio que seja boa notícia para Portugal.

Mas algumas lições podem ser extraídas do pleito. A principal delas: para vencer uma eleição majoritária é preciso atrair gente do centro, menos “radical”, e um tom excessivo na campanha, contra “tudo e todos”, pode assustar. Calibrar a mensagem antissistema com essa estratégia mais pragmática é o grande desafio da direita nacionalista.

Fonte: Gazeta do Povo

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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