
A Genial/Quaest divulgou nesta quarta-feira (10) uma nova pesquisa de intenções de voto para presidente da República nas eleições de 2026. A pesquisa, com registro no TSE BR-07661/2026, entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho e foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Nessa pesquisa, Lula (PT) lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 10 pontos percentuais de vantagem para Flávio Bolsonaro (PL). Na simulação de segundo turno entre os dois, o petista permanece na frente, com 6 pontos percentuais de vantagem. Nos embates contra Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), Lula venceria todos.
As ressalvas precisam ser feitas antes de qualquer análise. Esses “institutos” de pesquisas erraram muito em eleições passadas, ainda estamos bem distantes da eleição e muita água vai rolar. Dito isso, os novos números mostram que Lula vem se beneficiando da máquina populista que seu governo ligou, com vários programas assistencialistas e estímulos econômicos irresponsáveis. Lula também teria surfado na onda da “soberania” uma vez mais, com 47% dos entrevistados concordando com o presidente quando ele diz que Flávio Bolsonaro teria pedido novo tarifaço contra o Brasil.
Para Lauro Jardim, do Globo, a pesquisa Genial/Quaest que está sendo divulgada hoje traz o melhor resultado de Lula desde fevereiro naquele que é um dos seus pontos frágeis desde a campanha de 2022: o apoio dos evangélicos. A desaprovação dos evangélicos ao governo Lula ainda é maior do que a aprovação – bem maior, aliás. Mas ela entre maio e junho diminuiu de forma acentuada. Em maio, a diferença entre desaprovação e aprovação era de 35 pontos percentuais (65%; 30%) agora, é de 25 pontos (60% a 35%).
Tem bolsonarista que, no desespero de negar a realidade, tenta culpar o Nikolas Ferreira, a Michelle Bolsonaro ou até a mim pela queda do Flávio na pesquisa. Se eu tivesse esse poder todo, jamais o PT estaria no poder há 17 anos desde 2003.
A pior reação possível da oposição diante desses resultados é negar a realidade, fingir que nada aconteceu e que Lula não está ampliando sua vantagem. O “negacionismo” nunca é uma boa estratégia. Os mesmos que estão ignorando a nova pesquisa utilizaram a mesma Genial/Quaest quando Flávio chegou a liderar, com 42% contra 40% de Lula, em abril deste ano (Registro no TSE nº BR-09285/2026.). São os mesmos também que estavam ainda ontem divulgando a pesquisa da Gerp (Registro no TSE nº BR-01792/2026), pois seu resultado era favorável a seu candidato.
Kassio Nunes Marques pode decidir pela suspensão de uma pesquisa tendenciosa, mas isso não muda o fato de que o caso Banco Master respingou na campanha de Flávio. Daniel Vorcaro se tornou extremamente tóxico, e os áudios vazados e as remessas de dinheiro para o exterior pesam contra o senador na guerra de narrativas.
Outra realidade que a pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira aponta é para a polarização definida entre lulismo e bolsonarismo, sem espaço para a “terceira via”. Romeu Zema e Ronaldo Caiado, pela direita, não conseguem decolar, enquanto o lançamento dos nomes de Joaquim Barbosa e de Aécio Neves pela esquerda se mostrou um fiasco. É Lula contra Bolsonaro novamente.
Tem bolsonarista que, no desespero de negar a realidade, tenta culpar o Nikolas Ferreira, a Michelle Bolsonaro ou até a mim pela queda do Flávio na pesquisa. Se eu tivesse esse poder todo, jamais o PT estaria no poder há 17 anos desde 2003. Eu inclusive cheguei a declarar apoio ao Zema, e ele sumiu do mapa. Logo, meu apoio não muda nada, é irrelevante. E meu papel não é o de cabo eleitoral de candidato algum, e sim de analista independente.
“Tocar a real”, portanto, é crucial neste momento. Quem quer torcida pode buscar em outros lugares, com “jornalistas” que mentem deliberadamente, distorcem os fatos, mascaram a realidade e iludem seu próprio público, tratado como um bando de idiotas. Eu prefiro respeitar meu leitor, e minha preferência por determinado resultado não pode interferir em minhas análises diante da realidade. E esta não está boa para o Flávio. Se a eleição fosse hoje, a chance de reeleição de Lula seria bastante alta, para desespero de todo brasileiro decente. Constatar isso não é “torcer contra”, mas ser realista.
Fonte: Gazeta do Povo

