9 de junho de 2026
Rodrigo Constantino

Populismo explosivo

Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres: eis o resultado inexorável do esquerdismo. (Foto: André Borges/EFE)

Em seu editorial de hoje, o Estadão mostra que Lula quebra o Brasil para se reeleger. Não é novidade: foi o que aconteceu no passado recente, quando as “pedaladas fiscais” garantiram a reeleição de Dilma e o país, logo depois, foi à bancarrota. Não se trata de incapacidade, portanto, mas de método, de projeto deliberado do PT para se manter no poder.

“Petista usa truques contábeis para esconder o aumento cavalar de despesas, lembrando as malfadadas pedaladas fiscais de Dilma. Mas a conta da dívida pública explosiva sempre chega”, diz o jornal. O editorial toma como base estudo da XP Investimentos, assinado pelo economista Marcos Mendes. “Segundo o economista, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas”, diz o jornal.

Para o Estadão, porém, o problema está no timing e nos truques para ocultar os gastos, não nos gastos em si: “Não se discute a conveniência desses gastos – todos parecem bastante justificados quando analisados um a um, ainda que se possa questionar a incrível coincidência de todos estarem sendo feitos justamente em ano eleitoral. O problema está em escamotear esses gastos da sociedade, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. Esses truques servem apenas para cumprir formalmente as regras fiscais, mas não são suficientes para fazer o dinheiro aparecer do nada”.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo

Mas o problema não é “apenas” esse, e sim o modelo de bem-estar social em si. O welfarestate tupiniquim é uma máquina de criar dependência, resgatando o velho voto de cabresto. Há cidades no Nordeste em que temos mais gente dependendo de migalhas estatais do que trabalhador com carteira assinada. Isso vai à contramão de Santa Catarina, que é o estado com menos assistencialismo, e não por acaso aquele mais conservador do país.

Como consequência disso tudo, temos o empobrecimento permanente de boa parcela da população, que vota na esquerda populista perpetuando um círculo vicioso. Enquanto isso, aqueles com poupança acumulada se beneficiam dos altos retornos oferecidos por um governo perdulário e irresponsável.

As taxas dos títulos públicos do Tesouro Direto voltaram a patamares historicamente muito altos. O Tesouro IPCA+ voltou a pagar 8% ao ano acima da inflação, enquanto os papéis do Tesouro Prefixado estão oferecendo mais de 14% ao ano. São taxas insustentáveis, que remetem à agiotagem. Não adianta culpar o “mercado” quando fica claro que o problema está na sangria fiscal.

O rentismo prospera no Brasil justamente porque o populismo é a regra nas finanças públicas. Com cerca de 17 anos de petismo desde 2003, não poderia ser diferente. A esquerda ferra com os mais pobres, endivida o Estado de forma insustentável, e depois reclama dos investidores que exigem elevados retornos para financiar o Estado falido. Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres: eis o resultado inexorável do esquerdismo.

Todo economista sério conhece a solução: reformas estruturais, cortes de despesas, privatizações, redução drástica do tamanho do Estado. O melhor programa social é o trabalho, e isso depende de um ambiente mais competitivo, com menos burocracia e insegurança jurídica, menores taxas de juros, mão de obra mais qualificada e infraestrutura decente. Investir nisso, contudo, significa dar mais liberdade e independência ao povo, ao eleitor, e isso é intolerável para a esquerda, que vive dos votos dos mais pobres e ignorantes.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo. Quebrar o país para se manter no poder é a estratégia política da esquerda.

Fonte: Gazeta do Povo

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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