17 de junho de 2026
Rodrigo Constantino

A anistia subiu no telhado!

Paulinho da Força será o relator do projeto de lei da anistia na Câmara dos Deputados. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Paulinho da Força como relator do projeto de anistia é aquela ducha de água fria nos patriotas. Reportagem do Globo dá o tom: “Relator do PL da Anistia se reúne com Aécio Neves e Temer, em São Paulo, e foco do texto será reduzir penas do 8 de Janeiro”. O subtítulo acrescenta: “Paulinho da Força, escolhido para redigir o projeto de lei, busca uma alternativa que não confronte o Judiciário”.

Diz a reportagem: “A escolha do parlamentar, anunciada pela manhã por Hugo Motta, foi bem recebida por ministros do STF. A avaliação é que ele tem perfil moderado e trânsito político suficiente para construir uma proposta que evite radicalismos e contribua para a pacificação institucional”.

Querem Bolsonaro de cabo eleitoral, querem seus eleitores, mas não querem ele próprio, que seria ‘tóxico’ demais – e talvez honesto demais? Um projeto de ‘anistia’ desconfigurado que reduzisse as penas sem abalar a narrativa oficial seria o ideal para muita gente ali

Em sua primeira entrevista, o relator disse que será um projeto que não agrade nem a extrema esquerda, nem a extrema direita. Não sei quem ele chama de extrema esquerda, mas imagino que a extrema direita seja a turma bolsonarista. Ou seja, o projeto da anistia vai desagradar todos os patriotas cansados de tanta injustiça. Até porque contará com a participação dos próprios ministros supremos…

Se o Centrão acredita que isso trará “pacificação” ao país, está redondamente enganado. Afinal, não interrompe a caça às bruxas nem um milímetro. No fundo, eis a sensação que fica: as condenações draconianas aos manifestantes do 8 de janeiro já cumpriram sua missão, de preparar o terreno das narrativas para condenar Jair Bolsonaro a quase 30 anos de prisão. Agora podem aliviar na dosimetria para esses presos políticos, mas sem mexer na essência da coisa.

O cenário ideal para o Centrão é manter Bolsonaro afastado da vida política, para que tenham seus votos, mas sem levar junto o ex-presidente. Querem Bolsonaro de cabo eleitoral, querem seus eleitores, mas não querem ele próprio, que seria “tóxico” demais – e talvez honesto demais? Um projeto de “anistia” desconfigurado que reduzisse as penas sem abalar a narrativa oficial seria o ideal para muita gente ali.

Resta, claro, combinar com os “russos”, no caso, com os eleitores de Bolsonaro. E também com Donald Trump, claro, que já disse que o regime precisa parar com a caça às bruxas a Bolsonaro, citado nominalmente pelo presidente americano.

Fonte: Gazeta do Povo

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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