3 de julho de 2022
Colunistas Lucia Sweet

Salvador Dali

Salvador Dali nasceu no dia 11 de maio de 1904. Fotografei o Salvador Dali no quarto dele, no Hotel Meurice, na Rue de Rivoli, em Paris, para O Globo, quando ele resolveu fazer uma homenagem póstuma a Picasso.

O carisma de Dali era tão grande que eu trepidava. Foi a pessoa mais carismática que conheci. Ele me chamou para ficar ao lado dele e “monologou” comigo cerca de 40min. Foi fascinante.

Vestido com uma diáfana túnica de renda branca, ele me contou que o mundo era kitsch, entre muitas outras coisas. No meio do quarto, perfumado com lírios brancos e angélicas (tubéreuse, também um bulbo) em profusão, havia um deslumbrante biombo Coromandel, cercado de cobras de pano feitas pela Mijanou Bardot, irmã da Brigitte, designer de móveis e objetos de decoração. Ela, o marido e Salvador Dali fizeram uma coleção de almofadas gigantes de pano, em formato de animais. O biombo Coromandel era feito com laca chinesa aplicada em várias camadas e era incrustado com madrepérola, marfim, tartaruga, ouro para formar paisagens e figuras, com pássaros, animais e flores.Feito na China, era exportado da cidade indiana de Coromandel, e assim ficou conhecido. Precioso.

A Mijanou, que estreou no cinema na comédia Club de Femmes, com Jean-Louis Tritingnant, depois casou-se e foi morar em Los Angeles com o ator belga Patrick Bauchau. Patrick Nicolas Jean Sixte Ghislain Bauchau era filho de Henry Bauchau, (autor, psicanalista e filósofo) e sua mãe era editora. Bacheau estudou em Oxford University, e graduou-se em Modern Languages. Fala fluentemente seis idiomas. Ele trabalhou em muitos filmes, inclusive do James Bond, “A View to a Kill”. Seus filmes “Entre Nous” e “The Music Teacher” foram nomeados para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Mijanou, née Marie-Jeanne, assim como a irmã, sempre cuidou de gatos e cachorros. E tinha gente que a achava mais bonita do que a Brigitte.

Pois é, uma coisa leva a outra, que leva a outra, que leva a outra. Não por acaso nasci no mesmo dia que o célebre escritor francês Marcel Proust, de quem os mais jovens nunca ouviram falar. Ler, muito menos. Eu e a minha cultura inútil…

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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