5 de outubro de 2026
Lucia Sweet

Flávio foi bem

Muito boa a entrevista de sexta-feira com o candidato à presidência Flávio Bolsonaro. O espectador ficou conhecendo melhor o que pensam Renata Vasconcellos e César Tralli a respeito dos graves problemas do país no atual governo do PT. Foi pena que Flávio Bolsonaro tenha sido interrompido algumas vezes.

Mas os militantes atropelavam-se e falavam juntos para impedir Flávio de expressar-se. Não se tratou de uma entrevista, mas de um ataque perpetrado contra um entrevistado que não conseguia responder a perguntas que nem foram feitas.

Já no dia anterior, com o atual presidente, que às vezes aparece em fotos com dez dedos e não se parece mais nem com ele próprio, deixaram sem contestar as respostas mentirosas.

Lula deu a entender que foi inocentado das condenações da Lava Jato, quando as sentenças em primeira e segunda instância — no triplex do Guarujá e no sítio de Atibaia — foram anuladas pelo STF por questão de competência, ou seja, por ter sido julgado no Paraná. O problema foi o CEP. Não houve absolvição no mérito.

Mesmo assim, o petista repetiu que o sítio não era dele e que o apartamento não era dele, como se a anulação tivesse provado isso. Também disse que foi provada a minha inocência quando, na realidade, o processo foi anulado. Fachin não declarou Lula inocente, só entendeu que Curitiba não era o juízo natural.

Na mesma entrevista, afirmou que “a mim não preocupa a dívida pública”, depois de herdar, segundo ele, um déficit de 2,8% do PIB. O resultado de 2022, porém, foi superávit primário de 0,6% do PIB, segundo o TCU.

A dívida bruta já passou de 80% do PIB neste mandato do PT e, na métrica do FMI, deve chegar a 100% do PIB em 2027.
Ainda assim, os entrevistadores deixaram passar a fala e a comparação conveniente com Estados Unidos, Japão e Itália, sem cobrar o custo dos juros e a trajetória de alta da dívida no Brasil.

O atual presidente ainda disse que o país teria passado mais de dez anos sem crescer e que o PIB só teria voltado a avançar acima de 2% quando ele reassumiu. O IBGE mostra o contrário: o PIB cresceu 4,6% em 2021 e 3% em 2022.
Com Lula, a regra foi deixá-lo mentir sem ser contestado. Com Flávio, a regra foi interromper para não deixá-lo falar.

Lucia Sweet

Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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