21 de julho de 2026
Ligia Cruz

A Boeing e seu B-737 Max 8

Quanto especialista em aviação misturando querosene com abobrinha!

Agora o Procon entra em cena notificando a Gol a não escalar os seus jatos B-737 Max 8 para evitar acidentes.

Desde quando o órgão ganhou o status de controlador de operação aérea, determinando que aeronaves do modelo não podem voar? Cadê a Anac para responder a isso? Baseado em que o Procon tomou essa decisão? Essa não é sua esfera de atuação.

Pode sim intermediar quando uma companhia aérea deixa de cumprir o contrato de transporte, desde que o passageiro tenha formalizado uma queixa. Fora do campo da prestação de serviços o órgão não pode interferir.

Não há ainda nenhuma comprovação factível de que a queda do jato da Ethiopian Airlines, na manhã de domingo passado, em Adis Abeba, Etiópia, tenha ocorrido por falha de algum ou vários sistemas mecânicos e eletrônicos. Antes de qualquer confirmação é preciso analisar o conteúdo da caixa preta e cruzar com todos os indícios coletados na cena da tragédia. Óbvio que quando há vítimas, como as 157 pessoas do voo etíope e mesmo das 185 que morreram no acidente com o mesmo modelo de jato, em outubro passado na Indonésia, há uma forte pressão emocional.

Mas pode ser só uma coincidência ou mesmo que a interseção de diversos fatores tenha contribuído para com esse trágico desfecho.

Se o governo chinês resolveu proibir a decolagem de seus 100 B-737 Max 8, e o indonésio o seguiu, não significa necessariamente que há um problema de engenharia explícito.

Demonizar a aeronave baseado em hipótese, sem uma investigação cabal, é por chifre em cabeça de cavalo.

Deixar 100 aeronaves no solo por suspeição é caríssimo. Ademais, já teriam sido reportadas à Boeing panes havidas.

A China sabia de alguma coisa que não contou? Se for constatado algum problema de construção no modelo, toda a frota mundial do B-737 Max8 vai parar para cumprir o protocolo mandatório de manutenção. A Boeing se responsabilizará pelos custos e, inclusive, responderá judicialmente pelas vítimas e pelas perdas das operadoras.

Voltando aqui para a tupiniquinlândia, não cabe ao Procon antecipar-se aos fatos e responsabilizar a fabricante e as cias aéreas.

Que a Anac se posicione para não haver o atropelo de competências e a responsabilização antecipada de qualquer uma das partes, sem uma investigação.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Ligia Cruz

Um pouco de mim

Ligia Cruz

Strike urbano

Ligia Cruz

Fogo amigo

Ligia Cruz

Au revoir Lula

Ligia Cruz

O recall do ladrão