Diário da crise CDXXXV

Domingo é dia de saltar fora. O New York Times publica uma longa matéria sobre as dificuldades da maior agência de saúde do país, o CDC, Centers for Disease  Control and Prevention.

Segundo a material o CDC não foi bem na orientação, é uma espécie de referência mundial , e foi ultrapassado por grupos privados que tentaram dar uma resposta mais rápida e eficaz à pandemia.

Creio que são vestígios do período Trump que enfraqueceu os núcleos científicos e os viu como adversários, um pouco parecido com o que acontece no Brasil.
A França está às voltas com uma eleição regional e o Le Monde foca também na Ásia: os chineses já atingiram a marca de um bilhão de vacinas aplicadas e o Japão, diante da proximidade dos Jogos Olímpicos, vai reduzindo o estado de emergência.

Há eleições na Etiópia e o The Guardian dedica um artigo às eleições no Irã, dizendo que, no fundo, não há vencedor.

Mas o presidente eleito Ebrahim Raisi é linha dura e inclusive foi acusado de participar de tortura.

O que mais me interessou não só porque é um tema ambiental mas também porque está atingindo o Brasil são os prognósticos sobre a seca nos Estados Unidos. Alguns especialistas admitem que pode haver a pior seca dos últimos 1.200 anos. Lugares como Salt Lake City já registram temperaturas de 42 graus. Em algumas regiões da Califórnia mais distantes do litoral, a temperatura chegou a 55 graus.

Sem dúvida estamos diante de um verão terrível nos Estados Unidos porque nestas condições as possibilidades de incêndio aumentam muito.

Aqui no Brasil, entramos no inverno com uma grande carência hídrica que pode repercutir no fornecimento de energia elétrica e pode complicar também o nosso verão, quando o aumento de consumo aumenta muito para abrandar o calor nas casas.

Um dos depoimentos mais interessantes na reportagem do The Guardian é o da climatologista Katharine Hayhoe, cientista chefe do Nature Conservancy. Ela afirma que está acontecendo algo muito estranho porque temperaturas que faziam parte apenas de projeções científicas agora se tornam realidade e o fizeram num tempo muito curto.

Naturalmente, por trás desse fenômeno, está o processo de aquecimento global. Aqui no Brasil, não só sofremos o aquecimento global como contribuímos com ele através da destruição da Amazônia.

Essa é a evidência a que chego nesse domingo, dando essa volta pelo mundo: o aquecimento global já está produzindo resultados terríveis e muitos cenários distópicos que vemos apenas ou em previsões científicas ou em filmes estão se tornando uma realidade cotidiana.

Fonte: Blog do Gabeira

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