
O preço da ingratidão chegou para Otoni de Paula: das urnas à suplência – De 158 mil votos em 2022 para pouco mais de 19 mil em 2026: uma queda de 87,8% que merece reflexão
Há momentos em que a política dispensa discursos. Os números das urnas falam por si.
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) viveu, nas eleições de 2026, uma das mais expressivas quedas de votação de sua trajetória política. Em 2022, quando estava alinhado ao grupo político do então presidente Jair Bolsonaro, recebeu 158.507 votos e conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Quatro anos depois, o cenário mudou radicalmente.
Após romper com o grupo bolsonarista e declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições de 2026, Otoni de Paula terminou o pleito com apenas 19.364 votos, insuficientes para garantir a renovação de seu mandato.
A conta eleitoral é implacável:
2022 — 158.507 votos
2026 — 19.364 votos
Perda — 139.143 votos
Queda — aproximadamente 87,8%
Quando o eleitor diz não!”
É importante deixar claro: não cabe afirmar que a mudança de posicionamento político foi, isoladamente, a causa da derrota.
Eleições são resultado de múltiplos fatores. Mas também seria ingenuidade ignorar a dimensão política dessa mudança.
Otoni de Paula construiu parte significativa de sua trajetória eleitoral associado ao campo conservador e ao bolsonarismo. Em 2022, essa identificação contribuiu para sua expressiva votação.
Em 2026, entretanto, o parlamentar mudou de lado e passou a apoiar Lula. E o eleitorado respondeu nas urnas.
Não se trata apenas de perder votos. Trata-se de perder 139.143 votos em relação à eleição anterior.
A política tem memória
Na avaliação do TMNews do Vale, o episódio deixa uma lição que ultrapassa o caso específico de Otoni de Paula: mandato político não pertence ao político; pertence ao eleitor.
O eleitor pode perdoar uma mudança de posição, pode compreender uma divergência ou até aceitar uma nova aliança. Mas também tem o direito de considerar que determinado político rompeu com os princípios que o levaram a receber seu voto.
E quando chega o dia da eleição, não há discurso capaz de substituir a decisão popular.
A urna não grita. A urna não ameaça. A urna não faz discurso. A urna simplesmente registra a escolha do eleitor.
O preço da ingratidão
Nas redes sociais, o resultado de Otoni de Paula vem sendo interpretado por seus críticos como “o preço da ingratidão” e como
uma resposta do antigo eleitorado à mudança de posicionamento político.
Essa é uma interpretação política — e não uma conclusão matemática sobre a causa da derrota. Mas uma coisa é impossível contestar: a queda foi gigantesca. De 158.507 votos para 19.364. De deputado eleito a suplente. De uma votação expressiva a uma derrota que certamente entrará para a história de sua carreira política.
A política pode permitir mudanças de lado. O eleitor, porém, não é obrigado a acompanhá-las.
E, em uma democracia, quando o eleitor decide falar, não existe argumento mais poderoso do que o resultado estampado nas urnas.
O preço da escolha política, seja ela qual for, chega sempre no dia da eleição, sem meias verdades

