Vale uma porrada

O desastre de Mariana foi calamitoso. Vidas foram ceifadas, uma cidade dizimada e os moradores remanescentes seguem abandonados à própria sorte lidando com graves sequelas psicológicas oriundas da perda súbita das suas casas, da sua comunidade e ritmo de vida.
Em abril passado O Globo publicou a matéria de Luiza Souto onde se lê: “O índice de depressão entre a população atingida pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, em Minas Gerais, há dois anos, é maior do que na população geral: 28,9% dos moradores daquela região têm problemas, cinco vezes mais do que a taxa registrada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a população brasileira em 2015, de 5,8%.
Esses dados sugerem destruição similar a das guerras. De fato, é uma guerra, oculta na hipocrisia das autoridades brasileiras em conluio com a direção da companhia.
Além disso, a trágica consequência ao meio ambiente preocupa sanitaristas que observam relação direta entre proliferação de surtos epidêmicos e a desastrosa ocorrência, enquanto a responsabilidade jurídica da empresa vem sendo diluída na lama suja do poder econômico que escorre pelos corredores escuros da justiça brasileira.
Enquanto as coisas em Mariana preveem 100 anos de abandono, o milionário setor de marketing da empresa direciona recursos para promoção cultural.
Não faltam ‘cleaners’ do setor para limpar a lama de Mariana. Na edição de agosto do boletim da companhia o destaque é para o Museu Vale.
A instituição convida os sobreviventes brasileiros ao cinismo da companhia, a participarem de um concurso de foto (a empresa ‘ama’ foto e dá atenção especial para fotografo famoso) como recurso adicional ao – pasmem: “compromisso da Vale em melhorar ainda mais a sua gestão ambiental com uma dica de passeio especial e mais informações sobre o Atlântica Parque. ”
Com certeza, a senhora e demais protagonistas reais da tragédia, registrados na foto desse post, vitimas do desastre de Mariana, não tem animo algum para participar do concurso de foto ‘bonita’, flanar no Atlântica Parque e ir ao badalado ‘vernissage’ na abertura da exposição do doce concurso fotos.

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