A convergência dos extremos


As disputas insanas, despertadas pela ‘convergência dos extremos’ sacodem violentamente a gangorra eleitoral. Elas agitam embaixo e trazem para superfície a retórica bélica, usada por alguns candidatos à presidência.
Há tempos o PT faz ameaças explicitas à sociedade. Seja pelo viés do “exército do Stédile”, das reincidentes ameaças de tomada de poder pelo Zé Dirceu, como a última, publicada esta semana pelo El País: “E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”, seja por dirigentes petistas mais toscos e menos influentes como Quaquá , assim como pelo presidente do sindicato dos bancários ou da CUT -sequer lembro o nome – que, nos estertores do governo Dilma, no Palácio do Planalto, clamou os militantes a pegarem em armas etc etc.
Enfim, o PT e algumas legendas partidárias há tempos coagem a sociedade com ameaças sucessivas.
A imprensa apenas relata as ocorrências. Porém, os discursos do “nós contra eles” rola ostensivamente em comícios, passeatas e confrontos isolados sem que um grupo partidário de destaque se oponha frontal e peremptoriamente a ele. Isso levou parte da sociedade a temer que o PT e seus exércitos proletários possam ‘tomar o poder’ quando desejarem.
Sempre achei que Bolsonaro não tem virtude alguma. Seus discursos são toscos e dele não espero um laivo de inteligência e sutileza, virtudes que pautam a política de alto nível.
Entretanto, focando minhas reflexões com mais intensidade sobre a radicalização da eleição vindoura, percebi que Bolsonaro ganhou relevo eleitoral ajudado pelo PT. Como se trata de dois ‘populistas’ Lula x Bolsonaro, o segundo teve a esperteza de saber usar a seu favor as margens dos ‘extremos’. Sua tática, construindo em torno de si uma trincheira cada dia mais protegida contra o avanço das ‘tropas’ petistas, ganhou espantoso reforço popular.
Bolsonaro entendeu que o povo vê como ‘fraqueza’ as autoridades se acovardarem com as ameaças dos petistas. Essa foi sua maior sacada! Ao tomar essa trincheira como causa ele fez uso tático dela, obtendo grandes resultados. Esse é um dos motivos do seu crescimento nas pesquisas. A facada foi um trunfo a mais para o sucesso da sua tática.
O que os ‘guerrilheiros’ políticos de esquerda não perceberam é que Bolsonaro usou da tática militar para cerca-los. Para seus eleitores pouco importa o que acontecerá depois da batalha eleitoral. Para eles o que de fato importa é vencer o PT, reduzir seu contingente eleitoral no meio das massas e neutraliza-lo no campo político parlamentar.
Ontem, Ricardo Lewandowski,deu mais uma demonstração de ‘fraqueza’ aos olhos do cidadão,autorizando Lula -um preso comum – a dar entrevista para a Folha de S. Paulo,dando voz a um elemento banido da disputa eleitoral por força da lei.
Quando uma instituição da republica presta obediência a um criminoso condenado em 2º grau e um veículo de imprensa se engaja numa campanha de forte apelo propagandístico,os autênticos representantes do ‘campo democrático’ perdem terreno e voz e os ‘extremos’ convergem para a ruptura da ordem institucional.
Guerra é Guerra! Isso acontece quando os extremos se tornam ameaças tão sólidas quanto o aço.

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