“Anos 80”: uma trend divertida que mostra quem fomos, quem somos e quem seremos.

Como cirurgião plástico há 45 anos, posso afirmar:
o tempo, em algumas pessoas, é um excelente cirurgião.
Ele ameniza a feiura. Melhora o feio e opera milagres.
E foi justamente isso que me veio à cabeça esta semana, quando as redes sociais foram invadidas por um verdadeiro túnel do tempo.
Graças à inteligência artificial, fotografias atuais voltaram aos anos 80 e nos fizeram lembrar como éramos há 40 anos.
Uma experiência curiosa.
E, em alguns casos, assustadora.
Eu e Thaïs, por exemplo, até que não estamos tão mal quando comparados à nossa compleição física à época. Estamos sobrevivendo dignamente.
Muito obrigado, minha querida IA.
O mesmo aconteceu com amigos queridos e com várias figuras públicas que, orgulhosamente, ressuscitaram seus looks, roupas, cabelos, penteados, bigodes à moda Madonna, John Travolta, Freddie Mercury, Olivia Newton-John, Cindy Lauper e companhia.
Foi uma verdadeira arqueologia estética.
Houve aqueles para quem o tempo foi generoso e para outros nem tanto.
Mas aí entra uma outra constatação que carrego comigo há muitos anos: não existem pessoas feias.
Existem pessoas que nós amamos.
E essas são sempre lindas.
E, no final, é isso que importa.
Alguns consideram essa trend uma futilidade. Algo frívolo.
Eu discordo.
Ela nos fez lembrar uma época mais romântica.
Boas músicas, grandes amigos, o início da profissão, as primeiras viagens e os primeiros sonhos.
Uma época em que conhecíamos o mundo através de cartões-postais.
Hoje, a inteligência artificial nos devolve tudo em segundos.
É um verdadeiro túnel do tempo que nos permite perceber uma coisa interessante: alguns melhoraram, outros pioraram e alguns, inexplicavelmente, continuam praticamente iguais.
Para esses últimos, só existem duas explicações: DNA privilegiado ou medicina estética.
Mas, brincadeiras à parte, talvez o maior mérito dessa trend é nos fazer olhar para trás sem necessariamente querer voltar.
Porque o tempo passa. E nós passamos com ele.
Mudamos de aparência, de profissão, de opinião e de sonhos.
Por isso, em meio a uma semana politicamente tão atribulada, essa brincadeira acabou sendo um bálsamo.
Uma pausa para rir de nós mesmos.
Para lembrar de quem fomos.
E, principalmente, para agradecer por quem conseguimos nos tornar.
Não importa muito se a IA conseguiu nos deixar mais bonitos há 40 anos.
O que realmente importa é que continuemos felizes hoje.
E, se possível, procurando ser ainda mais felizes amanhã.
Porque o tempo pode até melhorar a aparência.
Mas só uma vida bem vivida melhora a gente.

