4 de junho de 2026
Vinhos

Não basta degustar um vinho, tenha uma experiência

Certas coisas da vida passam quase despercebidas. Degustar um vinho, definitivamente, não é uma delas.

Provar um vinho pode ir do trivial ao mais sofisticado ato, envolvendo recursos de alta tecnologia e rótulos que custam um absurdo.

Quando mencionamos, em nossos textos, a expressão “um bom vinho”, não estamos desmerecendo nenhum outro e nem tão pouco enaltecendo este ou aquele produtor.

Um “bom vinho” precisa ter uma série de características para poder ser assim denominado.

Tudo começa no vinhedo. Se ele não for bem manejado, nada do que sair dali poderá gerar uma boa bebida. Manter uma plantação saudável e produtiva é mais que uma arte.

Não importa se é natural, orgânico, biodinâmico, etc., etc. A diferença vai estar na mão de quem cuida, e só.

Na cantina é onde a mágica acontece: o açúcar da fruta se transforma em álcool. Parece simples, mas não é. Neste estágio talvez ocorra a mais bela simbiose entre ciência e experiência. Uma dita o que fazer e a outra ensina como fazer.

Não há espaço para erros. Vinificar num dia frio pode ser muito diferente da elaboração num dia quente. Mesmas uvas, mesmo terroir e vinhos diferentes.

Para encerrar o ciclo produtivo o único ingrediente necessário é paciência. Deixar o líquido em repouso, decantando e descansando “em berço esplêndido”, até que anos de experiência avaliem que é chegada a hora de declarar sua maioridade e, literalmente, colocar este trabalhoso filho no mundo.

Chega o nosso momento, como apreciadores, de desfrutar este conjunto, carregado de pureza, sabedoria, natureza, tecnologia, tempo, muito tempo, paciência e histórias. Uma para cada safra.

Será que estamos preparados para encarar um desafio como este?

Não basta mais sacar a rolha, verter o líquido numa taça, sorver um gole e avaliar.

Quando um vinho se transforma em experiência, nunca mais seremos os mesmos. O quanto mais soubermos sobre a origem do que está no nosso copo, mais complexa será esta aventura.

Ritos são necessários, sim, mas não precisamos nos passar por Sommeliers. A experiência deles será, sempre, diferente da nossa.

Examinar a cor, seus reflexos e a transparência; os aromas, muitas vezes uns poucos que são mais evidentes; finalmente, provar, deixando o líquido passear pela boca, entregando diferentes paladares e sensações.

Um bom vinho ainda vai nos dar mais uma emoção, a permanência, o retrogosto, como um reconfortante abraço que nos seduz e conquista.

É como se ele falasse: “oi, amigo, continuo por aqui”.

Da mesma forma que um vinho que precisa de tempo e dedicação, para ficar bom, os Enófilos também precisam destes mesmos fatores para apreciar a experiência de degustar “um bom vinho”.

Não desistam. Vale à pena.

Saúde!

CRÉDITOS: Imagem de wavebreakmedia_micro no Magnific

Tuty

Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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