
Dark Horse, ou O Azarão, em português, com estreia prevista para setembro deste ano, pretendia ser uma cinebiografia destinada a enaltecer as “virtudes” de um ex-presidente que acabou cruzando a reta de chegada em primeiro lugar, deixando o segundo cavalinho a ver navios.
O segundo cavalo já tinha vencido o páreo anterior, mas, por ter trapaceado durante sua gestão, acabou dando essa brecha pro azarão. Acontece que o cavalo vencedor, tema do filme, também pisou no tomate enquanto ostentava o título de campeão. Deixou que 700 mil pessoas morressem de Covid, porque se recusava a comprar vacinas, alegando que quem tomasse vacina ia virar jacaré.
Como se não bastasse, convenceu seu gado a tomar cloroquina pra combater a doença. Teve também o escândalo que envolvia um dos seus potros. E, claro, ele fez de tudo para esconder do povo o caráter precário de sua cria – embora tivesse a quem puxar – mexendo seus pauzinhos na Polícia Federal para que as investigações não fossem adiante. Mas o pior ainda estava por vir.
Quando aconteceu o derby de 2022, inconformado com a derrota, tramou um golpe que envolvia o hipódromo, muitos jóqueis, e uma parte do gado equino (ou seria asinino?), tentando impedir que o cavalo adversário cruzasse a linha de chegada.
Mas o filme, certamente, não vai relatar esses acontecimentos. Escrito por um parceiro de corrida – na verdade um pangaré -, a biografia teve direito até a diretor (Cyrus Nowrasteh) e ator estrangeiros para dar ar um de seriedade ao tema – ironicamente estrelado por Jim Caviezel, ator que já representou Jesus, no filme dirigido por Mel Gibson, A Paixão de Cristo. Por aí já dá pra ver que Jim é um ótimo ator. Vai de Cristo ao anticristo num piscar de olhos.
Já a produção, ou melhor, a superprodução, com um orçamento de R$ 134 milhões, é brasileira. E executada aos moldes bem brasileiros. Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados ao potro mais velho do dark horse, através de uma instituição financeira fraudulenta. Mas ele queria mais, mesmo sem provar que essa grana estivesse sendo destinada para bancar o filme. Áudios vazados mostram o potro aspirante ao pódio no próximo turfe chamando de irmão o fraudulento, dono do dinheiro sujo, choramingando porque precisava da grana pra não dar calote no ator e no diretor estrangeiros.
Essa história veio à tona antes mesmo da estreia da película, e o que seria um filme para contar a ascensão de um cavalo azarão acabou virando um filme de um tropeço e uma possível queda de um potro chucro com pretensões de puro sangue.
Não dá pra dar spoiler deste ultimo porque ele ainda não foi finalizado, mas, pelas regras das corridas hípicas, não deve terminar em final feliz.
Pelo menos, não pro cavalinho que relinchou e mostrou todos os seus dentes quando questionado sobre as tramoias que o envolviam.
Por via das dúvidas, melhor abastecer a despensa com muita pipoca.

