12 de junho de 2026
Ricardo Noblat

Eleição em turno único? O cenário que assombra a direita

A candidatura de Flávio balança, balança e enfraquece

Nova pesquisa mostra Lula em vantagem na disputa eleitoral

Era só o que faltava: Lula se eleger para o quarto mandato sem precisar disputar o segundo turno. Logo ele, prestes a encerrar sua longa carreira como político. Que prêmio não seria? Logo ele, que nunca se elegeu presidente no primeiro turno.

Fernando Henrique Cardoso se elegeu duas vezes: em 1994, quando ainda não havia reeleição; e em 1998, quando passou a haver. Nas duas ocasiões, derrotou Lula com relativa folga. Milagre do Plano Real.

Está nos radares, embora os pesquisadores neguem, a possibilidade de que a eleição de outubro próximo seja decidida em um único turno. Lula, pouco a pouco, se recupera graças ao fato de ser o incumbente, o titular de um mandato que concorre à reeleição. A chamada “vantagem do incumbente” se traduz em maior visibilidade, uso da máquina pública e facilidade para captar recursos.

Desde o fim da ditadura de 1964, o único presidente que se deu mal até aqui foi Jair Bolsonaro, há quatro anos, e mesmo assim por pouco não se reelegeu. No primeiro turno, perdeu para Lula por 43,20% a 48,43% do total de votos válidos. No segundo, por 49,10% a 50,90%. E olha que Bolsonaro fez um péssimo governo. Não bastasse, enfrentou uma pandemia que matou mais de 700 mil pessoas.

Faltam 114 dias para o primeiro turno. Lula vai bem; Flávio Bolsonaro parece em declínio; os demais candidatos, todos de direita, não alçam voo. Se esse quadro se acentuar nos próximos meses, a eleição já tem data para terminar: 4 de outubro.

A não ser… A não ser que Flávio seja forçado pela direita tradicional a abandonar o jogo, abrindo espaço para que ela impulsione qualquer outro dos candidatos. Ao PL de Valdemar Costa Netto o que mais interessa é ser dono da maior bancada de deputados federais, o que significa ser detentor da maior parcela do Fundo Partidário. Não quer perder tal condição. Flávio se eleger ou não importa menos.

Mas o candidato a presidente costuma ser um bom puxador de votos. Se deixa de ser, prejudica a empreitada e torna-se um estorvo – quem sabe? – a ser removido ou abandonado. O tempo corre e a candidatura de Flávio balança, balança e enfraquece.

A notícia boa que ele teve ontem foi a recusa pela Polícia Federal da segunda proposta de delação do seu amigo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Vorcaro teima em não querer contar tudo ou quase tudo o que sabe sobre o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Melhor para Flávio. De todo modo, deve preocupá-lo o vazamento do que mais possa haver na memória dos oito celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal.

Fonte: Blog do Noblat

Ricardo Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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